por Rogélia Heriberta

Diante das possibilidades tão extensas de inclusão a coluna Art Inclusiva irá apresentar aos leitores da Revista Digital Tendência Inclusiva a arte inclusiva de Rogélia Heriberta de Jesus com pinturas, desenhos, esculturas e fotografia.

 

 

Nesta edição Rogélia Heriberta retrata a educadora inclusiva Gelzimar Borges.

 

 

Quem é a professora Gelzimar?

 

Gelzimar é uma pedagoga, especialista em planejamento educacional e com alguns cursos na área de educação especial. Professora desde 1993, teve oportunidade de trabalhar com os vários segmentos da educação, da creche ao ensino superior. Na educação infantil e fundamental sempre aconteceu de ter algum aluno que precisava de um pouco mais de estímulo que os demais. A grande maioria não tinha diagnóstico, então, as turmas tinham o número máximo de alunos permitido em cada segmento, 28 na educação infantil e 36 no ensino fundamental, isso porque as salas de aula não comportavam mais que isso. Entre os casos especiais, síndromes não catalogadas, deficientes auditivos, visuais e físicos, fora os alunos com síndrome de down e autistas. Conheceu de tudo um pouco. No início sem preparação alguma, agia mais por amor, do que por conhecimento, somente depois de 1998, os cursos de especialização na área de ensino especial começaram a ser oferecidos nas escolas. Surgiu a necessidade de procurar meios para tornar o atendimento a esses alunos um pouco mais específico, já que a estrutura da escola não nos permitia grandes feitos.

 

O que significa o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência pra você?

 

O dia da pessoa com deficiência na verdade para mim é um dia como outro qualquer, porque respeito as diferenças e sempre lutei para que tivessem seus direitos garantidos, independente de um dia no ano. As autoridades deram um dia para comemorar, mas não muito, porque ainda temos muito o que avançar em relação a pessoa com deficiência, na semana em que comemora, todos lembram, respeitam, passa a data as pessoas continuam a ser tratadas sem dignidade, têm seus direitos desrespeitados, como se não fosse para ser uma atitude contínua da sociedade.

 

Hoje as escolas de fato estão apoiando e recebendo a pessoa com deficiência?

 

Receber, desde que sou professora não presenciei na escola pública a recusa de alunos, nas particulares vi, várias vezes, com desculpas de que não possuem espaço adequado, ou ainda que não tem um profissional capacitado. Nas escolas públicas o aluno com deficiência é aceito, mas se o profissional que o recebe está preparado ou não é outro fato. Começa com a escolhas de turma no início do ano. Você escolhe uma turma, um segmento, mas não tem conhecimento se naquela turma há um aluno com diagnóstico ou não e quando o professor se depara com a turma não tem como voltar atrás, o jeito é correr atrás para atender o aluno da melhor forma possível. Algumas escolas são realmente inclusivas, são adaptadas, toda a comunidade escolar sabe que a escola recebe o aluno “diferente” e toda a escola se mobiliza no atendimento desse aluno. Ele participa das atividades, não é apenas de uma classe especial na escola, ele é da mesma sala que outras crianças, que ele pode ter como modelo. Há uma inclusão e fato. Mas em muitas ainda vemos uma inclusão às avessas, o aluno até está em uma escola regular, mas numa classe especial, tem seu recreio em horário diferente, lancha em horário diferente, não tendo um convívio social com os demais alunos da escola, isso para mim, não é inclusão, é exclusão.

O que você faria para incluir mais as pessoas?

 

Eu sonho com a humanidade fazendo as atividades juntas, por exemplo, nas olimpíadas, os jogos são separados, o de atletas “normais” amplamente divulgados, a paralimpiada é separada, sem grandes divulgações. Se eu tivesse o poder de mudar as coisas, esse seria o meu primeiro passo, unificar as olimpíadas, os jogos escolares, tudo o que envolvesse pessoas diferentes, com capacidades diferentes, num só evento. Incluindo realmente essas pessoas.

 

Você tem uma filha com síndrome de down, conte-nos sobre ela?

 

Minha filha nasceu aos oito meses de gestação, com traços da síndrome de down, nossa que notícia... mas o que é mesmo uma síndrome? Qual expectativa de vida? Um turbilhão de dúvidas, um luto passageiro. E conheci a pessoa mais encantadora que pode haver. Seus olhinhos puxados, cabelo liso, um olhar que me olhava dentro da alma. Me apaixonei. Nascera Laíse, cheia de vontade de viver, mesmo com vários problemas de saúde, ela venceu. Hoje com 17 anos, a caminho da alfabetização, numa escola inclusiva de fato, que a recebeu de braços abertos e luta por ela todos os dias.

 

Desde que nasceu tratada como se nada tivesse, mostrada ao mundo de frente. Encontramos preconceito sim, mas em compensação muitos sorrisos, abraços e receptividade à esse ser iluminado. Sempre teve as mesmas oportunidades que o irmão, porém, mesmo com as limitações, ela permanece feliz, obedecendo seus limites e respeitando os limites alheios.

 

A educação no Brasil está longe de ser a ideal, apesar de profissionais altamente capacitados o próprio sistema acaba por podar esses profissionais não oferecendo ambientes apropriados, materiais didáticos de qualidade, dificuldade de acesso. Se o aluno sem limitações encontra uma educação deficiente, imagina quem precisa de uma atenção maior? A educação ainda funciona porque muitos professores ainda tiram de seus bolsos recursos para tornar a aprendizagem desses alunos um pouco mais digna e o maior prémio e os verem se profissionalizar, mesmo com todas as limitações que o mundo impõe. Eles vencem.

 

O espaço Art Inclusiva é uma oportunidade de pessoas como eu, que não tem nome importante, poder mostrar a sua realidade, dividir suas experiências e mostrar que a educação inclusiva é possível se houver empenho, amor e sobretudo respeito às diferenças.

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 "A educação representa um desafio!!!! A proposta de uma educação inclusiva que contemple o conhecer, o conviver e o ser, utilizando a ARTE para a construção de novos significados na vida de alunos com necessidades especiais, resgata a auto-estima dos oprimidos. Pelos desenhos, as crianças interpretam o mundo e mostram o que conhecem.Através da ARTE as crianças desenvolvem a auto-expressão e atuam de forma afetiva com o mundo através das cores, formas, tamanhos e símbolos,gritando ao mundo que  "São todas iguais na diferença."  Parabéns professora Rogélia pela sensibilidade e iniciativa de estimular, sensibilizar e incluir!!!! "-  Estela da Cunha Gomes-Professora de Arte do CEF 01 do RFII, atualmente Coordenadora Pedagógica.

"Muito emocionante ver os nossos alunos especiais se apresentando, eles ficam felizes e partcipam com sorriso no rosto que sempre me emociona, essa semana aproveitamos para levar aos alunos de nossa escola, que o respeito e a  aceitação é muito importante para vida deles. Sempre serão amados por nós e não só nesta semana mas todos os dias. Deixo aqui um grande beijo a todos." - Diretora: Suzimara de Oliveira Mamedio.

Arte, Incluir, Amor Eterno

Arte em grafite, fotografia e pintura.

Pop Art

80x50

Participaram:

 

Diretora: Suzimara de Oliveira Mamedio 

 

Vice Diretora: Glaucia Hercilia Almeida

 

Alunos participantes:

 

Kthelen Rafaelly

Manuela Gomes

Lucas Ferreira

Maria Clara

Isadora Silva

Jaciane da Luz

Ana Beatriz

Giovanna Alves

Mariana Gloria

Ana Luisa

Manuela Sampaio

Thaliya Kelly

João Marcos

Gabriel Aguiar

Sara Araújo

 

Além de Gelzimar Borges, Laíse Borges e Estela da Cunha Gomes

 

por Rogélia Heriberta

 

Fotos do acervo do entrevistado e da escola

Espero que tenham gostado!

 

Aguardo sugestões de esportistas que fazem a diferença para compor nossa galeria de Art Inclusiva!

Galeria de Fotos Art Inclusiva por Rogélia Heriberta

 

Ano 1:

Os Gigantes do Rugby em Cadeira de Rodas

Amor de Irmãos

com os filhos de Rogélia Heriberta

Voo Inclusivo

com Evinho Bezerra

Vida e Alegria

com Alan Mazzoleni

Um Mergulho na Inclusão

com Adriana Buzelin

Arte, Incluir, Amor Eterno

com Gelzimar Borges

Tendência Inclusiva

Aniversário de 1 ano!

Autismo - Além do Horizonte

com Bruno Caruso

Ano 2:

Selo - Acessibilidade

com Scott Rains

O Triunfo das Escolhas Inclusivas

com Samanta Bullock

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