As Protetoras

dos cuidados ao bom exemplo

 

Amor, dedicação, compromisso e solidariedade são atributos que fazem parte do dia a dia de muitos protetores de animais. Vocês vão conhecer as irmãs Cristiane e Viviane e, também,  Alexsandra, todas apaixonadas por bichos, desenvolvendo um belo trabalho de proteção e adoção.

Viviane da Costa é publicitária e, desde criança, sempre ficava triste quando via algum cãozinho atropelado em vias públicas.

Cristiane da Costa é analista de crédito e começou sua paixão pelos animais desde pequena, mas despertou a compaixão pelos mesmos ao ver o bom exemplo da irmã.

Foto: Arquivo pessoal da Protetora Viviane

Foto: Arquivo pessoal da Protetora Cristiane 

‘’Aprendi e continuo aprendendo muito com este trabalho não planejado hora alguma por mim. Simplesmente aconteceu!’’ -  Viviane

 

Quando aconteceu o primeiro resgate realizado pelas irmãs e como foi?

 

Viviane - Em 2008 aconteceu meu primeiro resgate. Apareceu um cãozinho “caindo aos pedaços” caminhando devagar em um sol de lascar na minha rua. Nesta época, eu tinha apenas um cãozinho em casa, a Nala. A paixão pelos animais foi despertada neste momento. Não tinha nenhuma experiência com resgate de animais e nem amizades em comum a respeito. Peguei este cãozinho já idoso e coloquei para dentro de casa. Não tinha condições financeiras para cuidar dele, também não sabia nem por onde começar, mas deixei-o separado no canil por 40 dias, vermifuguei e dei banho. Foi nossa primeira adoção.

 

Cristiane - O trabalho de resgate é feito pela Viviane, ela é digamos assim, o " carro chefe" do assunto.  Minha função em alguns casos é ajudá-la no transporte dos animais até clínicas, lar temporário, ou o lar definitivo dos bichinhos. Mas ano passado resgatei uma gatinha e uma cadela prenha, a qual teve 8 filhotes. Infelizmente é um trabalho de formiguinha, animais em situação de risco infelizmente sempre haverá, até as pessoas criarem uma consciência do mal que fazem aos animais e a elas mesmas.

 

 

Cristiane, Viviane e alguns animais para adoção que estão sob a tutela das duas irmãs.

Foto: Luciano Baeta – Arquivo pessoal das protetoras

 

Viviane, como foi o início do seu trabalho como protetora e divulgação de animais para adoção?

 

Comecei a trabalhar utilizando o facebook para divulgar os casos. Hoje tenho muitos amigos virtuais da causa e simpatizantes que me ajudam financeiramente para manter o trabalho em prol dos peludos. Coloco como prioridade em meus resgates animais machucados, cadelas prenhas. Após o encaminhamento para o veterinário, coloco os peludos para adoção.

 

Mantenho diariamente também na porta de casa vasilhas de água 24h por dia e ração 2x ao dia. Os cães e gatos já “descobriram” e “batem cartão” em minha porta.

 

Mantenho os resgatados em lar temporário pago ou na clínica que hoje é minha parceira, até serem adotados.

 

Por eu receber doações financeiras, sempre faço planilha de doação x gastos. Posto notas fiscais, exames, boletins sobre os animais que estão sobre minha tutela. Eu trabalho com transparência 100%.

 

Para adoção, os candidatos a tutores têm que passar pelo questionário de adoção que será avaliado por mim e perguntas a mais através das respostas que o candidato à adoção me der. Resgatar e dar para qualquer um não é e nunca será meu foco.

 

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 ‘’Quando eu resgato, eu assumo o caso do inicio ao fim e utilizo a internet para propagar pedido de ajuda financeira para custear o tratamento/lar temporário do cãozinho e adoção futura. Quando coloco para adoção, deixo todos os dados do animalzinho: cidade onde ele está disponível para adoção, porte, temperamento, idade aproximada, dados de saúde (exame de leish, se castrado, vacinado, vermifugado) e como foi que chegou até nossas vidas. O candidato a tutor responde um questionário de adoção enviado por mim e através dele, eu analiso se ele pode ser o dono para o cãozinho ou não. Caso positivo, o novo tutor vai assinar um termo de adoção em duas vias, uma para mim e outra para ele e depois vou acompanhando a vida do meu afilhadinho em sua nova casa!’’ - Viviane

Viviane, quantos animais você já resgatou e encaminhou para adoção?

 

Eu já resgatei aproximadamente 70 animais. Alguns viraram estrelinha e os demais foram adotados.

 

 

Cristiane, como é a sua participação no processo de adoção? Por favor, relate-nos sobre esta sua experiência.

 

Eu compartilho as divulgações de Viviane e entro em contato com amigos também. Alguns amigos já adotaram animais conosco.

A experiência que posso relatar talvez seja de quando os resgatamos, acolhemos em nossas casas ou lar temporário, clínica, que seja, é possível ver nos olhos deles o sentimento de gratidão que é demasiadamente profundo. Só quem já passou por essa experiência é que pode avaliar o tamanho da expressão deles que parecem nos dizer:  "obrigado, você me salvou!"

 

E isso é muito bonito, e impagável! 

 

Viviane e o Barthô, um cão ex-estropiado. Na imagem podemos nos emocionar com olhar de ‘’agradecimento’’ do animal à sua protetora e cuidadora.

 

‘’Minha experiência resumidamente com os animais é que eles cuidam mais de mim que eu cuido deles.’’- Viviane

 

Hoje, as irmãs cuidam de vários animais que aguardam uma adoção, cada um com suas particularidades.

 

Boneca, Nina, Francisca, Miguel, Princesa e Barthô, esperam por uma família.

Alexsandra Ribeiro é analista de contratos e há 20 é Protetora dos Animais, exercendo esta função com muita dedicação e consciência.

‘’Desde de criança sempre gostei muito de bichos. Quando falo bichos, são todos em geral. Já resgatei, coruja, pássaros, gatos e cães mas a minha maior paixão e proteção começou quando eu já era adolescente." - Alexsandra

 

Foto do arquivo pessoal da protetora.

Alexsandra, como é feito o trabalho de resgate e encaminhamento para adoção?

 

Recolho das ruas ou até mesmo de lares por maus tratos, levo em um veterinário para se certificar sobre a saúde e fazer os exames necessários e a castração pois não doamos animais sem castrar.

 

 

De acordo com Alexsandra, o animal doente necessita de cuidados fica na clinica até a total recuperação e ela depende da ajuda de amigos para custear as despesas. Após a recuperação, a protetora procura um lar temporário para ele ficar até ser adotado.

 

‘’Tiro fotos, faço cartaz e anúncios na rede divulgando, com o maior número de dados. Faço termo de adoção e uma visita à casa da pessoa interessada antes de doar. ’Hoje tenho 18 animais para ser doados em vários LT’s (Lares Temporários)’’ -  relata a protetora.

‘’Sinto muita falta de um trabalho educativo e preventivo por parte da prefeitura na cidade onde moro, as pessoas têm o costume de deixar seus animais soltos na rua, sem consciência dos perigos a que ficam expostos. ‘’ - Alexsandra

 

 

Alexsandra, para você, o que significa ser voluntária em prol dos animais?

 

Ser voluntário é dar sem esperar nada em troca, esse nada que é tudo, porque a recompensa é tão grande quando vemos que conseguimos dar a outro ser a felicidade, uma vida melhor, um sorriso, um olhar de gratidão eterna e de comunhão, de paz, de amizade sincera sem esperar retorno.

 

Gustavo, o filho de Alexsandra tem contato com os animais desde bebê. A mãe transfere seus conhecimentos sobre a importância do respeito e cuidados.

 Foto:  Arquivo pessoal de Alexsandra

Qual a importância do contato da criança com os animais?

 

Na minha opinião, a criança que convive com animais é mais afetiva, repartindo as suas coisas, é generosa e solidária, demonstra maior compreensão dos acontecimentos, é crítica e observadora, sensibiliza-se mais com as pessoas e as situações.

A mão que protege.

Foto: Luciano Baeta – Arquivo pessoal das protetoras Viviane e Cristiane

Caso você veja ou saiba de maus-tratos cometidos contra qualquer tipo de animal, não pense duas vezes: vá a delegacia de polícia mais próxima e faça a ocorrência.

 

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). É importante levar uma cópia do número da Lei (no caso, a 9.605/98) e do Art. 32 porque, em geral, as autoridades policiais nem tem conhecimento dessa lei. Leve também o Art. 319 do Código Penal, caso a autoridade se recuse a abrir o Boletim de Ocorrência.

 

Contato referente à adoção ou sobre as protetoras:  e-mail da colunista - liciabhmg@yahoo.com.br

Fotos: Arquivo do Entrevistado

 

 

por Lícia Lima em 25/05/2015

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