Doris Azevedo

e a Etiqueta e Contraetiqueta

 

Autora do livro Etiqueta e Contraetiqueta com etiqueta inclusiva, Doris ensina e questiona regras de comportamentos e luta para sensibilizar sobre a falta de acessibilidade que as pessoas com deficiência enfrentam. Com muita garra, tenta motivar pessoas a enxergar o universo da real inclusão.

Doris nos conta que, há 10 anos atrás, ainda com a saúde perfeita, lançou a primeira versão do livro Etiqueta e Contraetiqueta, ensinando e questionando regras de comportamento que não a convenciam. Na época da divulgação não pode se dedicar pois teve câncer de mama e focou em sobreviver. Anos depois já com Esclerose Múltipla e numa cadeira de rodas resolveu aliar seu conhecimento na área de etiqueta ao feeling de pessoa com deficiência e tentar, divulgando esta flexibilidade do comportamento, dar algum sentido a este momento da sua vida. Assim surgiu o livro Etiqueta e Contraetiqueta - Com Etiqueta Inclusiva.

Lançamento livro no Brasil em abril de 2015

Foto:  Juliano Blotta

E quando falamos de comportamento a trajetória é longa. Para Doris, a falta de acessibilidade e sensibilidade das pessoas é o maior obstáculo. E é por isso que como palestrante motivacional sua tendência de sempre motivar pessoas se acentuou.

 

“E parece que estas vivências e sobrevivência as intempéries me tornou mais enfática e simplista. Não tenho tempo para conjecturas. Sou objetiva e uso o bom humor como forma de facilitar a introjeção do tema Inclusão. Acho que tem muita gente mais preocupada com a nomenclatura que usarão para definir alguém com deficiência do que com o problema maior que é a falta de acessibilidade e sensibilidade para a REAL inclusão. Quero respeito. E se referirem a mim como Portadora de Necessidades Especiais ao invés de Pessoa com Necessidades Especiais (politicamente correto), não vai me ofender. Mas não poder frequentar os locais por falta de acessibilidade ou não ser convidada para eventos e trabalhos por falta de sensibilidade, me agride.” relata Doris.

 

 

E é no intuito de promover a acessibilidade que Doris criou um projeto chamado Hotelaria com Sensibilidade - Hospitalidade Inclusiva.

 

“Vivem me perguntando o que é sensibilidade na hotelaria. Para ilustrar contarei a história de minha hospedagem em 2013, no Resort Bourbon Atibaia, em SP. Nesta época os funcionários não me conheciam. Eu era uma cadeirante hospedada no hotel. O resort tem inúmeras atividades para seus hóspedes, inclusive um passeio de trenzinho para conhecer os recantos mais distantes. Acompanhada de amigas, simplesmente desisti do passeio quando vi que não tinha como subir com a cadeira no trenzinho. Eis que um mensageiro, o "Seu Paulo" prontamente insistiu que eu fizesse o passeio. Agradeci. Disse que era impossível. Ele não me deu ouvidos e providenciou ajuda para me acomodar no trem e usufruir o passeio. Adorei!! 
À noite, no mesmo hotel fui, na cadeira de rodas, conhecer a danceteria. Muita gente dançando, alegria contagiante. E eu discretamente balançando os braços e o tronco na cadeira de rodas. Quando alguém saiu empurrando minha cadeira e me integrou a turma que dançava. E logo minha cadeira, conduzida por este funcionário da área de lazer, puxava uma turma animada e feliz,onde eu era a mais realizada. Nunca esquecerei. Neste dia descobri o que é sensibilidade na hotelaria e escolhi este hotel para implantar o projeto de Hotelaria com Sensibilidade - Hospitalidade Inclusiva. A sensibilidade, o apoio e a visão humanista e arrojada do gerente geral José Ozanir Castilhos tornaram este hotel da Rede Bourbon ( http://www.bourbon.com.br/ ) o pioneiro no projeto com o qual pretendo injetar o conceito de inclusão REAL na hotelaria brasileira.”

 

A autora não percebe nenhum crescimento na área acessibilidade na área de hotelaria inclusiva. Ainda questiona como iremos receber os turistas nas paraolimpíadas que acontecerá em 2016 no Brasil sem cuidados com o acesso das pessoas com deficiência.

 

“E muito menos há consideração com este público de pessoas com deficiência que, só no Brasil, ultrapassa os 50 milhões de pessoas.  Os empreendimentos  hoteleiros fazem o mínimo para ter o projeto e alvará de funcionamento aprovados e jogam as informações no lixo. O poder público por sua vez, completamente despreparado. entende como corretas algumas adaptações que na prática nada tem de acessíveis. O custo não muda para colocar uma barra na posição e altura certas. Enquanto não formarmos pessoas que disseminem a ideia da Inclusão a alta rotatividade das equipes neste ramo e a falta de fiscalização (competente) vai emperrar  qualquer esforço.”

Como colunista e comentarista de jornais, revistas, televisões e rádios, Doris Azevedo que tem formação superior em Hotelaria, foi professora de vários cursos na área de comportamento e consultora de Etiqueta Profissional de muitas empresas. É muito conhecida e respeitada na área de comportamento. Com sua experiência e capacidade de brincar com as palavras transporta a teoria para a prática, tornando a etiqueta algo simples, aplicável, próximo de todos. Hoje, focada na Inclusão das pessoas com deficiência, busca sensibilizar para esta causa, trazendo ao universo do comportamento, além da Contraetiqueta, a Etiqueta Inclusiva. Assim, a autora quer mostrar ao mundo que mesmo com inúmeras limitações físicas podemos e devemos participar dos acontecimentos sociais e profissionais. Sem perder o bom humor e a mania de ser feliz!

 

"Sou alguém que apesar das dificuldades não desistiu de fazer a diferença e deixar uma marca , por pequena que seja, na vida de algumas pessoas!

E digo para todos: Não desistam. Façam a vida valer a pena!" - Doris Azevedo

Para contato com Doris Azevedo:

Site:  www.dorisazevedo.com - email:  doris@dorisazevedo.com

 

O livro Etiqueta e Contraetiqueta - Com Etiqueta Inclusiva e pode ser adquirido direto Chiado Editora, em Lisboa, nas versões e.book e brochura

https://www.chiadoeditora.com/pesquisa?q=etiqueta+e+contraetiqueta ou pela Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/etiqueta-e-contra-etiqueta-42863948

Fotos: Acervo Pessoal do Entrevistado

 

por Adriana Buzelin em 25/06/15

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