Luciana Villela

e o projeto Cão Amigo Terapia

 

Este belo projeto surgiu por uma enorme vontade de fazer trabalho voluntário associado principalmente à área da educação pois Luciana e sua equipe de voluntários e pets acreditam que a educação é a única forma de fazer com que as pessoas desenvolvam potenciais, aprendam valores morais, aprendam a dividir, a serem solidárias e, com isso, construir um mundo melhor para todos.

O Projeto Cão Amigo Terapia surgiu em 2012 idealizado por Luciana Villela devido a um grande amor pelos animais e pelo desejo de se fazer um trabalho associado à educação e à saúde.

 

Luciana sempre participava de trabalhos humanitários como visitas a asilos onde ela relata ter sido seu grande aprendizado para perceber que era possível trabalhar com o universo único e particular da pessoa com deficiência, especificamente com o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo).

 

Aliado a seu interesse, Luciana começou a estudar sobre o autismo, aprender metodologias, fazer cursos, conhecer alguns pais destas crianças e encontrar junto a eles a possibilidade de unir seu interesse nesta área com o amor pelos animais.

 

“No início éramos eu e uma amiga. Começamos fazendo esse trabalho voluntário na APAE- Belo Horizonte. No entanto, ficou difícil focar só no autismo e por isso acabamos trabalhando com vários outros tipos de deficiências também e claro, aprendendo muito. Ficamos aproximadamente dois anos na APAE e atualmente estamos na Escola Municipal Especial Frei Leopoldo em Belo Horizonte. Enfim, o que aconteceu foi que juntamos os animais, que são uma grande paixão que tenho, com essa vontade de fazer um trabalho voluntário.” relata Luciana.

 

Para Luciana a escolha dos pets terapeutas não é difícil. Ela nos conta que é bem mais fácil que escolher voluntários.

 

Atualmente trabalha com seus pets que são três cães da raça Golden Retriever, sendo que uma está fazendo estágio supervisionado, porque tem ainda um aninho porém está indo muito bem. Também tem um jabuti, que dependendo do que planeja fazer, também participa.

 

“O que acontece é que o cão deve ter o adestramento de obediência e dependendo do que for fazer, se busca um adestramento mais avançado. O interessante é que os próprios cães percebem muito do que está acontecendo e muitas vezes fazem coisas sem que você precise ensinar. Isso é muito bacana.”

 

Luciana nos conta que quando se escolhe um cão para fazer TAA (Terapia Assistida por Animais) ele passa por alguns testes para que possamos ver como o mesmo irá reagir, pois, muitas vezes, os meninos puxam um rabo ou ao fazer um carinho apertam com força, por não tem noção da força que podem usar. O cão não pode latir, a não ser que seja pedido, pois principalmente no caso do autismo, muitas crianças ou adultos possuem uma hipersensibilidade sensorial e não suportam barulhos e um simples latido na hora errada pode ter um efeito devastador e gerar um trauma.

 

O cão também precisa estar com todas as vacinas em dia, vermífugos, para que não haja nenhum problema, já que algumas vezes lidamos com crianças com sonda alimentar, ou um sistema imunológico mais débil, apesar de que muitas vezes os cães são usados para melhorar a imunidade.

Tudo vai depender muito da situação. O adestramento deve ser feito por uma pessoa especializada, que além de poder ensinar os comandos entenda também de comportamento animal e tenha estudado um pouco de etologia.

 

“No caso do projeto Cão Amigo Terapia, temos uma veterinária que cuida dos cães e um adestrador. Atualmente, com a dificuldade de conciliar horários e como eu já tenho algum conhecimento sobre adestramento e comportamento canino, o adestrador trabalha também comigo me ensina e durante a semana vou treinando com os animais.”

 

Não existe uma raça especial, nem um tamanho. Existe um perfil ideal que muitas vezes é encontrado em Golden Retriever, Labradores e algumas outras raças, mas nada impede que outra raça possa participar, desde que tenha o adestramento e tenha passado em todos os testes. Até porque não basta que o cão seja perfeito com pessoas, ele também deve ser social com os outros cães que estarão juntos neste processo.

E os benefícios são inúmeros!

 

No caso do autismo, as crianças e adolescentes passam a interagir mais, a atenção compartilhada melhora, a parte sensorial também, o contato visual fica mais fácil, são melhoras difíceis de quantificar. Afetividade é outra coisa que melhora muito, baixa autoestima, medos, em alguns casos a pressão arterial estabiliza, o nível de estresse diminui e aumenta a produçao de oxitocina pelo organismo.

 

"Na verdade, no caso do projeto Cão Amigo, chamamos de terapia por ser um processo de intervenção, mas priorizamos a área da educação. Existem atualmente várias nomenclaturas: cinoterapia, zooterapia, pet terapia, e TAA/AAA/EAA, respectivamente, Terapia Assistida por Animais, Atividade Assistida por Animais e Educação Assistida por Animais. E como sempre trabalhei na área da educação, acabei direcionando o projeto para essa área, portanto o que fazemos é Educação Assistida por Animais dando especial atenção aos processos de aprendizagem e suas dificuldades ou facilidades. Priorizar a autonomia também é fundamental para todos que atendemos."

 

Luciana mesmo relata que é um exemplo vivo de que um animal pode transformar nossas vidas.  Ela nos conta que, há alguns anos, era fumante e em uma determinada época estava fumando praticamente um maço por dia. Já tinha tentado parar porém não conseguia. Foi quando uma de suas cadelinhas, a Olly, adoeceu. 

 

"O próprio veterinário já estava me preparando para o pior. Nesse momento, prometi que se ela conseguisse sobreviver, na hora em que ela saísse da clínica, eu pararia de fumar. Ela ficou praticamente um mês internada, mas quando entrou no carro pra ir pra casa o maço de cigarros saiu pela janela (joguei na rua mesmo, fiz algo muito feio, mas por uma boa causa). Hoje levo uma vida muito mais saudável e sou muito mais feliz. Aqui em casa também todos fizeram promessas. Efeitos dessa relação homem-animal que só nos traz benefícios e muito, muito amor e dedicação."

 

E quando pedimos a Luciana que deixasse um recado para Revista Digital Tendência Inclusiva ela nos disse:

 

Acho que o nome da revista de vocês já diz tudo:  gostaria que o mundo fosse mais inclusivo e que mais pessoas fizessem trabalho voluntário, porque na verdade, é muito melhor para nós que fazemos do que para quem recebe. Eu sempre saio de cada sessão uma pessoa mais feliz e realizada. Recebo muito amor e aprendo mais do que ensino. Gostaria também de dizer que as pessoas devem ver o trabalho voluntário como qualquer outro trabalho, com compromisso, responsabilidade e respeito por aqueles que estão nos deixando participar de suas vidas. Não importa o tempo que você dedica, mas que a dedicação seja total. Acho muito importante o trabalho assistencialista e necessário, porém estamos precisando que as pessoas tenham autonomia, pensem por si mesmas e saibam fazer escolhas responsáveis e para isso, é preciso que se faça um trabalho de formiguinha mesmo, cada dia construindo algo.

 

 

Caso queiram conhecer mais sobre o projeto:

Site: www.caoamigoterapia.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/caoamigoterapia

E-mail: contato@caoamigoterapia.com.br ou luciana@caoamigoterapia.com.br

 

Fotos: Acervo Pessoal do Entrevistado

 

por Adriana Buzelin em 30/04/15

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