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LIMPANDO GAVETAS - Júnia Paixão


Tenho o hábito de arrumar os armários e gavetas nos primeiros dias do ano. E assim tenho feito. Tirado papéis velhos, contas antigas, caixas de presente que sempre pensamos poder precisar, embalagens interessantes que podiam nos ser úteis um dia, roupas que guardamos e pouco usamos, aquele jeans que apesar de não servir mais guarda a esperança de uma silhueta mais enxuta, sapatos gastos pelos passos da vida. Faço uma varredura em todos os espaços onde possa haver algo que não mais terá serventia. Claro que sempre sobra alguma coisa, mas são muitos quilos de papel velho que vão para o lixo.

E assim tenho procedido com a alma. Limpando gavetas e nichos de sentimentos que não tem mais serventia. Extirpando mágoas, raivas, ressentimentos; fortalecendo alegrias e ternuras, revendo conceitos e valores. Fazendo uma faxina e reorganizando emoções e relações. Priorizando sempre aquelas ligações que nos fazem sentir melhor, que nos fortalece e nos conforta. Descartando outras, que nada nos acrescenta ou não eram tão verdadeiras quanto pensávamos. É um exercício de desapego e nessa labuta percebi o quanto nos apegamos mesmo àquilo que não nos serve ou nos faz mal. Fazemos nossas prisões e nos libertar delas requer coragem, perseverança, humildade e sabedoria. Coisas que aprendemos com o tempo. Comecei a caminhada!

E o tempo é sábio! Tira-nos o frescor da juventude e a urgência da adolescência, mas nos concede clareza de pensamentos e mais serenidade nas emoções. Já ouvi tantas pessoas falarem: “Queria ter o corpo de 20 anos, mas com a cabeça de 50!” Bobagem. Ser jovem é olhar a vida e querê-la, seja como ela for. Mas acredito que os jovens precisam de uma ousadia que a maturidade não permite mais. A vida é feita de etapas, e temos que cumprir todas, sem pular nenhuma. Assim como as frutas que amadurecem na marra se perdem mais facilmente, nós também nos fragilizamos quando a maturidade chega antes da hora. A natureza sabe o que faz!

Portanto sigamos o curso da vida, com aceitação e tranquilidade. Retirando o ranço e o mofo que as coisas inúteis carregam. Limpando as gavetas e a alma, deixando espaço pro novo, que mesmo que nos assuste, sempre traz algo para nos surpreender!

Júnia Paixão.

por Lícia Lima em 30/01/2015


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