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PAUSA E MOVIMENTO


Coluna de Fernanda Coffers

Pressionados pelos inúmeros “tenho que” diários, a pausa se tornou um conceito distante e impalpável, que pode até nos provocar uma certa aversão.

Dar uma paradinha pra respirar virou artigo de luxo e caímos na ilusão de que estamos mais produtivos do que nunca nesta frenética corrida, que nem sempre tem direção.

Do ponto de vista fisiológico, a pausa é um elemento fundamental para que as informações que absorvemos a cada segundo sejam digeridas e organizadas no nosso sistema, pois só assim estaremos aptos a deliberar nossos outputs de maneira coerente, equilibrada e presente.

A vida que vivemos hoje é cercada de uma quantidade imensa de informações nas quais somos expostos diariamente e, a energia que precisamos gerar para responder a tantas demandas do sistema atual, nos leva a criar padrões compensatórios de sobrevivência, que passam por cima das nossas necessidades mais básicas, como respirar , descansar e sentir.

Sem estes três elementos não conseguimos mais saber onde estamos no espaço e nem sabemos mais das nossas necessidades intimas. Vamos levando a vida da pele pra fora, carregando vontades que não são as nossas, e aos poucos apagando nossa luz interior.

Trabalho com o corpo há 27 anos e, observo que hoje se leva muito mais tempo para as pessoas se renderem a força da gravidade e de sentir seu próprio corpo, do que à 20 anos atrás.

Porém, quando nos propomos a ”tirar nosso barco da corredeira”, ou seja, quando nos damos um tempo e paramos, todas as coisas que nos sobrepõem como um véu sobre nossos olhos e como um peso sobre nossas costas se dissipam rapidamente. Como um passe de mágica tudo se torna mais claro mesmo no escuro.

Eu diria hoje que, a pausa é a chave para nossa liberdade e que as melhores coisas da vida são de graça.

Contemple!

Fernanda Coffers


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