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TERAPIA DO ABRAÇO


Coluna de Krishnaya

No ano de 2000, optei por fazer um estágio num asilo, quando o intuito era servir voluntariamente dentro das terapias que já havia me habilitado a aplicar. Comecei a ouvir os queixumes, e foi se desenhando um quadro de abandono, de solidão, de dor moral, de tristeza, e de depressão. E pensei: não é momento para oferecer nada do que estudei, é preciso saber o que gostariam de receber. E fui perguntando de um em um. No primeiro dia me disseram “nada, minha filha, obrigada”... mas ficavam de mãos dadas comigo. No segundo dia a mesma resposta, e seguiam dando as mãos, porém, começavam a perceber as minhas mãos, percorrendo-as com seus dedos já frágeis e sensíveis. No terceiro dia ao cumprimentar um de cada vez, eu perguntava: posso lhe dar um abraço de bom dia? E eles aceitavam com novo brilho nos olhos e um sorriso acanhado, mas eram abraços demorados, sentidos, coração com coração, toques sutis, e eles não esboçavam vontade em parar de abraçar. Um senhor me disse assim “posso abraçar você por 6 minutos?” e perguntei então “6 minutos? E de onde saiu esse 6?” ... e ele me respondeu “é que não abraço meus filhos há 6 anos, e poderia lhe abraçar um minuto por ano” ... Nem preciso dizer a emoção que senti, e silenciosamente, o abracei. Pelos 6 minutos que queria. Aliás, nem sei se foram 6 minutos, não contei no relógio, ficamos abraçados até que ele então foi me soltando. Uma senhorinha que estava ao lado, me disse assim “ainda sobraram abraços para mim? Eu me sinto triste, e isso pode me curar...” . E assim foram meus dias, acalentando corações, aprendendo com eles. Dias após me permitiram aplicar as terapias que me levaram à estar lá, porém, naquele momento eu entendi que a melhor terapia que poderia oferecer à eles (e à mim principalmente), era essa: a terapia do abraço. As pessoas no geral tem uma grande resistência em abraçar os outros que não sejam seus parentes ou amigos mais próximos. Muitas pessoas ligam o abraço ao desejo carnal, e são coisas bem distintas, tudo está na intenção. Eu particularmente não me constranjo em abraçar alguém, afinal, já gostava de abraçar as pessoas antes, e depois desse aprendizado com aqueles elevados mestres do asilo, sinto que é uma das terapias de maior poder curador. Um abraço ameniza a ansiedade. A dúvida. A ausência. A carência. A dor moral. O abandono. A solidão. A tristeza. A baixa estima. Eleva o padrão vibratório. A sensibilidade. Traz satisfação. Instiga o sorriso. Acolhe. Desmancha muros de resistências. Pode inclusive atrair o choro de limpeza emocional. Suspiros profundos. Mas isso também é muito positivo. Há quanto tempo você não abraça, de forma tranqüila, amorosa, sem pressa, alguém que você admira? Abraçar é desfrutar de uma das maiores riquezas que se pode ter: é encostar o seu coração no coração do outro, e trocar a energia curativa de uma forma tranqüila, segura, macia. Os braços são o prolongamento do coração, ao abraçarmos expandimos o nosso coração, irradiamos energia de amor através dessa intenção que é de alto poder curador. É um verdadeiro lacre energético que colocamos no coração de quem está sendo abraçado, que por sua vez fica impregnado de energias de grande poder, pois a expressão do amor é o que tem de maior no Universo. É muito importante entender que a nossa vida só acontece no momento que passa, por isso precisamos colocar nossa atenção em cada ato, para através dele praticarmos a doação do nosso melhor. O abraço tem uma peculiaridade dificilmente encontrada em outras situações, que é a prática da verdadeira aceitação do próximo tal qual ele é, valorizando-o como um ser muito importante em nossas vidas e que merece todo o nosso amor e respeito. A simples fato de abraçar é de fundamental importância para o reerguimento de muitas pessoas que estão com a auto estima baixa, pois quando abraçamos alguém, estamos enviando a seguinte mensagem: - Eu te aceito como você é, independente dos erros e enganos que você já tenha cometido em sua vida. Esta ação, livre de todo julgamento, será um grande combustível gerador de ânimo, esperança e coragem, gerando na pessoa abraçada, novo sentido de se viver. A necessidade de ser tocado é inata no homem . Abraçar traz nova vida para um corpo cansado e faz com que você se sinta mais jovem e mais vibrante. No lar, um abraço todos os dias reforça os relacionamentos e reduzirá significativamente os atritos. É interessante notar que reservamos nossos abraços para ocasiões de grande alegria, tragédias ou catástrofes. Refugiamo-nos na segurança dos abraços alheios depois de terremotos, enchentes e acidentes. E porque não colocar os abraços como terapia para todos os momentos? O abraço é um ato de encontro de si mesmo e do outro. Para abraçar é necessário uma atitude aberta e um sincero desejo de receber o outro. Por isso, é fácil abraçar uma pessoa estimada e querida. Mas se torna difícil abraçar um estranho. E cada pessoa acaba por descobrir em sua capacidade de abraçar seu nível de humanização, seu grau de evolução afetiva. O abraço é uma afirmação muito humana de ser querido e ter valor. É bom. Não custa nada e exige pouco esforço. É saudável para quem dá e quem recebe. Se alguém precisa ser ouvido, permita que essa pessoa expresse a vontade de dar um abraço em você e acolha com amor a ação. Se alguém só precisa ficar quieto mas escolheu a sua companhia para isso, ofereça um abraço à essa pessoa também e deixe que o seu coração converse silenciosamente com o coração do outro. Pense nisso! A emoção do abraço tem uma qualidade especial. Experimente abraçar mais. Pratique o abraço, pois através dele estará também praticando a fraternidade e a paz. Vença preconceitos. Expresse o quanto você gosta de alguém, o quanto aquela pessoa lhe faz bem, e abrace-a. Dê abraços mais demorados. Que tal experimentar a terapia do abraço?

Que na próxima edição eu lhe encontre em paz!

Krishnaya



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