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UM GRANDE SHOW COM HISTÓRIAS PARA CONTAR


No último mês de Setembro, o Brasil foi palco de um grande evento de música, daqueles que não acontece todos os dias.

Diz o ditado popular que: “O melhor da festa é esperar por ela” e, para muitas pessoas foram longos meses de espera e muitos planos até que o grande dia chegasse.

Tive a oportunidade de conhecer uma das histórias de quem se programou incessantemente para fazer parte de um grande público que lotou o evento, e acredito que ela seja válida para que muitas pessoas possam refletir a respeito.

Se para os chamados “normais” já pode parecer um desafio e tanto vivenciar essa experiência, o que dizer de um deficiente ou alguém com mobilidade reduzida?

Infelizmente o que muitas vezes parece organizado e pensado em detalhes, nem sempre funciona assim.

Apesar da organização do evento ter planejado a existência de duas plataformas mais elevadas no evento, com cerca de vinte e cinco metros quadrados cada e capacidade para até trinta pessoas, muitos dos que utilizaram os espaços questionaram o fato de que estes estavam longe demais do palco, além da existência de postes que atrapalhavam a visão, o que levou os ocupantes a recorrerem aos telões para acompanharem o show.



Agora imaginem estes mesmos espaços sob chuva forte serem totalmente descobertos para acomodar cadeirantes, deficientes visuais, portadores de próteses, órteses e etc.

Você pode até pensar em dizer: “Quem sai na chuva é para se molhar! Mas, não é bem assim."

Se um evento de grande porte se dispõe a receber os mais diversos públicos, dentre eles crianças, deficientes e adolescentes, deve ao menos planejar esta iniciativa considerando o mínimo de conforto para estas pessoas.


A questão da acessibilidade ao local também merece atenção.

Segundo relatos, a própria equipe de segurança não sabia ao menos informar onde ficava as tais áreas reservadas aos deficientes, o que os levou a passar um bom tempo tentando acessar os respectivos locais tendo necessariamente que atravessar um espaço imenso, simplesmente por falta de informação.


Como dizem atualmente: “Pode isso produção? Acredito que não."

Mas é preciso também reconhecer que existiram pontos positivos.

Um deles proporcionou bons momentos a um grupo de professores com deficiência auditiva, que por meio de um equipamento de áudio tátil que emite baixas frequências para o corpo permitiu que o grupo tivesse a dimensão física da experiência musical durante o show.

Estes fatos nos levam a pensar que ainda temos muito a progredir no universo de entretenimento visando à inclusão, mas não podemos perder de vista que todo e qualquer público merece ser tratado de maneira adequada, independente de sua condição.


imagens cedidas pelo colunista

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