• Tendência Inclusiva

SÍLVIO CARVALHO


Um breve desabafo...

Comecei a coluna deste mês sem saber exatamente o que falar. A cada mês venho tentando trazer uma matéria interessante a respeito de algo social que está sendo desenvolvido para melhorar a vida das pessoas com deficiência. Mas hoje será um pouco diferente. A Revista Tendência Inclusiva está completando seu primeiro ano e eu (caramba!) estou fazendo parte disso.

Quando fui convidado a participar pensei em dizer não. Confesso que nunca fui um grande ativista de causas sociais. O discurso para justificar meu total desânimo era: não concordo com assistencialismo. Afinal de contas, sempre corri atrás dos meus ideais. Desde cedo, meu pai me moldou para a batalha. Cresci o ouvindo dizer que eu deveria ter um diferencial - possuía uma deficiência física, mas não poderia deixar que ela me definisse. Anos a fio, fiz o máximo para me destacar no mercado. Consegui trabalhar em grandes empresas e sempre me orgulhei disso. No entanto, o passar dos anos foi trazendo algumas experiências marcantes e percebi que, por mais que eu me esforçasse, por mais que mostrasse qualidade, sempre teria uma marca. Sempre seria visto como diferente e, por mais que, até hoje, seja dolorido dizer, sempre seria visto como alguém com menos capacidade. Isso não mudou. Estamos no século XXl. Temos a tecnologia a nosso favor, a internet para nos conectar e encurtar as distâncias e, mesmo assim, não aceitamos a diversidade. O fato é que não nos sentimos confortáveis ao lado de alguém diferente - que nos causa estranhamento. E o pior, por não nos sentirmos confortáveis, nos achamos no direito de simplesmente menosprezar o próximo. Neutralizar seria a palavra mais adequada.

Certa vez, escrevendo uma matéria, vi um vídeo que mostrava como crianças lidavam com as diferenças. E, como era de se esperar, foi provado que elas lidam com naturalidade. Os adultos é que criam barreiras.

Por causas dessas barreiras, por causa da desinformação, por causa da intolerância de alguns, por causa da solidariedade de outros, por causa da falta de voz de milhões, resolvi fazer parte dessa revista. Com o peito aberto, como o coração cheio de esperança, quero, ao lado dos colegas colunistas, mostrar ao mundo que o corpo físico, a cor da pele, a condição social NÃO definem caráter. Não se pode medir o valor de alguém por parâmetros tão mesquinhos. Dignidade a todas as pessoas com deficiência. Essa é a nossa luta!


Sílvio Carvalho é Formado em Tradução e Interpretação pelo Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo - SP. Tem curso Pós Graduação em Contação de Histórias. Trabalhou com mídias digitais na Editora Abril. Não se considera um repórter ou jornalista. Sua grande paixão é contar as histórias das pessoas.

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