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SE ALGUÉM PERGUNTAR SE POR ACASO EU SOU FELIZ...


A ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. O International Day of Happiness, como é conhecido internacionalmente, tem o objetivo de promover a felicidade e alegria entre os povos do mundo, evitando os conflitos e guerras sociais, étnicas ou qualquer outro tipo de comportamento que ponha em risco a paz e o bem-estar das sociedades. Mas, o que é felicidade?

Apesar de ser rigorosamente difícil definir, felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. Aliás, a etimologia (estudo da origem e evolução das palavras) revela que a palavra felicidade vem do latim felicitas, que, por sua vez, deriva do latim antigo felix, que significa "fértil, frutuoso, fecundo". Felicidade é, portanto, um estado de fecundidade que gera vida e vitaliza nossa existência.

Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade – pela filosofia, pelas religiões, pela psicologia, pela ciência. Tomografias revelaram que a felicidade está relacionada a atividade nas áreas do cérebro ligadas à produção de dopaminas, substâncias que induzem bem-estar. Cientistas britânicos elaboraram até uma equação que dizem ser capaz de prever a felicidade, ainda que momentânea.


Fotos: Gata de Rodas / Créditos das Fotos: Luciana Firmino.

A fórmula dos pesquisadores da Universidade College London (UCL) leva em conta expectativas sobre o futuro e conquistas do passado. Os pesquisadores dizem que tudo depende da diferença entre as expectativas e os resultados. Quanto maior e mais positiva for essa diferença, mais felizes nos sentiremos.

Por outro lado, os instrumentos usados, a exemplo do Questionário da Felicidade de Oxford (The Oxford Happiness Questionnaire), para medir o nível de felicidade de um indivíduo, emprega métodos que levam em conta fatores físicos e psicológicos.

Mas, o homem sempre procurou a felicidade? Para Freud, o homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança. Na realidade, para o pai da psicanálise, o homem primitivo se achava em situação melhor, pois não conhecia nenhuma restrição aos seus instintos. Então, neste caso, bastaria irmos para a floresta e viver como nossos antepassados para sermos felizes? Pesquisas meticulosas quanto aos povos primitivos que existem ainda hoje mostraram que a vida instintiva não é, de maneira alguma, passível de ser invejada por causa de sua liberdade e que está sujeita a restrições talvez até mais severas do que aquelas que dizem respeito ao homem moderno.


Fotos: Gata de Rodas / Créditos das Fotos: Luciana Firmino.

Para a ONU, na resolução que criou o Dia Internacional da Felicidade: "A busca pela felicidade é um objetivo humano fundamental". A instituição do Dia da Felicidade era parte de uma campanha diplomática do reino do Butão, país que tem um índice nacional de "felicidade interna bruta". Pois é! Foi nesse reino distante, localizado no sul da Ásia, no extremo leste dos Himalaias, no qual a televisão só chegou em 1999, que Sua Majestade Jigme Singye Wangchuck, um rei que assumiu o trono aos de 17 anos, virou a economia de seu país de cabeça para baixo ao decretar que Produto Interno Bruto não seria mais importante que a ‘felicidade interna bruta'. Enquanto modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objetivo primordial o crescimento econômico, no reino de Butão, a Felicidade Interna Bruta (FIB), em contrapartida ao Produto Interno Bruto (PIB), baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana deve considerar não somente o fator econômico no cálculo da “riqueza” da nação, mas também outros aspectos como a educação, a cultura, conservação do meio ambiente e a qualidade da vida das pessoas. E, foi assim que, por unanimidade que a proposta de Butão, um pequeno país asiático que se orgulha de possuir uma das populações "mais felizes do mundo", foi aceita pela Assembleia Geral da ONU e o Dia Internacional da Felicidade passou a incorporar o calendário oficial da ONU.

O segredo da felicidade é uma preocupação cada vez mais constante na era moderna. Considerar que a felicidade é a finalidade última dos nossos atos, não é o mesmo que dizer que todo e qualquer ato nos traz felicidade. Muitas vezes o que obtemos é o oposto: buscamos felicidade e acabamos conseguindo infelicidade. Como diz o ditado popular, "nem tudo o que reluz é ouro". Novas pesquisas mostram que não são as nossas conquistas, o nosso esforço, as nossas realizações que nos tornam felizes. É o oposto. É a felicidade que, em grande parte, determina nossas conquistas. Nietzsche, acreditava que destino do homem está projetado para momentos felizes — toda a vida os têm —, mas não para eras felizes. E há quem diga que, por durar mais do que uma dose de dopamina, é importante pensar na felicidade como algo que vai além da emoção e que como tal ela pode ser intencional e estratégica.

Mas, seja o que for felicidade, se alguém perguntar se por acaso eu sou feliz... EU SOU FELIZ!

Ivone de Oliveira (Gata de Rodas)

Revisão: Sílvio Carvalho

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