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EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A HISTÓRIA DO DR. SCOTT RAINS NO BRASIL.


Para abordar sobre o assunto da Educação Inclusiva, não podemos deixar de conhecer um pouco da história de muitos atores sociais com deficiência. Um deles é o Dr. Scott Rains, norte-americano que, aos seus 17 anos, ficou tetraplégico devido uma biópsia na coluna. Após sair do Hospital, escolheu o Brasil para cursar a sua primeira faculdade.


Scott Rains - Foto: Acervo Pessoal

Há aproximadamente 40 anos atrás, passou em Letras em uma Universidade Pública de São Paulo, mas por falta de acessibilidade e ações inclusivas, foi transferido para uma Universidade Pública de Minas Gerais. Acabou concluindo o curso superior nos EUA. Depois fez Doutorado em Teologia.

Scott não desistiu do Brasil, adotando o nosso país para promover a mudança e deixar um legado de Direitos Humanos para as próximas gerações.

Para ele, o que impediu de prosseguir com os seus estudos foi a falta de acessibilidade arquitetônica nas cidades brasileiras. A partir do trabalho dele junto com uma gama de profissionais, conseguiram o apoio da ONU para a mudança em prol ao desenvolvimento e inclusão da Pessoa com Deficiência em alguns países.


Mesmo após tantas movimentações, o Brasil está preparado para a Educação Inclusiva?

Podemos dizer que não... Ainda falta acessibilidade arquitetônica em muitas escolas, muitos dos profissionais não estão preparados e capacitados para favorecer aulas para todos e ainda há preconceitos e mitos sobre alunos com deficiência.

Há algumas etapas para favorecer a Educação Inclusiva:

  1. Acessibilidade arquitetônica;

  2. Verificar se há a necessidade do uso de Tecnologias Assistivas, como uso de equipamentos ou sistemas adaptados (como por exemplo, apoiador de lápis adaptado, sistema de leitura de voz para deficientes visuais, entre outros);

  3. Colocar projetos em prática para a mudança de Cultura e quebra de paradigmas sobre a Pessoa com Deficiência. No Brasil, ainda há muito receio e medo de profissionais em lidar com este público, enquanto em outros países, como Japão e alguns Estados Norte-Americanos já lidam com esta questão com naturalidade. O receio e medo podem gerar uma barreira atitudinal, excluindo a Pessoa com Deficiência do grupo escolar e social.

  4. Há a necessidade de acreditar e investir nas pessoas engajadas com a causa e, com a expertise de outros profissionais, podem se unir para a elaboração de projetos e construir as respectivas adaptações nos planos de curso e de aulas.

  5. O trabalho em Rede e em parceria com outras Instituições especializadas com cada caso e cada particularidade de deficiência é importante para resultados efetivos para a inclusão e acessibilidade na escola. O profissional engajado com a causa pode ser a pessoa adequada para liderar e mediar este trabalho e as parcerias.

  6. A mudança de paradigma do significado da Pessoa com Deficiência de ‘coitado e incapaz’, para uma pessoa ativa e capaz, respeitando as particularidades de cada um, pode fazer toda a diferença na atuação dos docentes para favorecer a autonomia, desenvolvimento e construção de conhecimento dos seus alunos.

A experiência de Scott Rains ter ficado por 4 meses internado e acamado em um hospital e sai tetraplégico, fez com que ele tivesse uma incansável atitude de ser capaz de ser ativo. Faleceu no dia 30 de abril de 2016, mas deixou um legado para todos nós.


Quem quiser conhecer um pouco mais de Scott, deixo alguns links:


Scott é um exemplo para muitos e eterno para todos os seus amigos e familiares.


Luciane Kadomoto é psicóloga, especialista em Educação Inclusiva pela PUC-SP, atua na Capacitação Profissional para Jovens com Deficiência Intelectual no Senac, Docente em Psicologia das Relações Humanas no Colégio Pollux, prestadora de serviços em Educação Inclusiva e Psicóloga Clínica e Consultora de inclusão para escolas e empresas. CRP 06/88163

kadomotolucianemidori@gmail.com

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