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VIDROS DE CONSERVA.


Estava realizando atendimentos e fiz algumas metáforas como se fossemos vidros de conservas e o que temos conservado dentro de nós mesmos.

Analisando com mais profundidade, consigo tecer algo que fique para nossa reflexão.

Estamos de certa forma adaptados a conservarmos a dor e todo sofrimento que vivenciamos, muitas vezes de forma intensa e remoendo e remoendo. Mesmo sabendo que remoer, o mesmo que resignificar nos faz sofrer de novo e de novo.

Mas porque temos este mal hábito? Porque vivemos uma situação ruim e não conseguimos nos livrar bem rápido delas?

Somos pessoas analíticas e nosso processo de elaboração possui inúmeras ferramentas que trabalham em nosso cérebro, nosso poderoso “vidro de conserva”. Um bom trabalho mental nos ajuda prosseguir, mesmo quando algo difícil nos acomete. O tempo as vezes é longo e denso, porque nossa elaboração é feita de detalhamentos, da busca por certezas e tentativas do controle das situações, o que em geral, não temos.

Aceitar e compreender resulta num ótimo caminho.

Somos pessoas que conservam a dor do que ocorre com uma quantidade elevada de acidez, com pensamentos negativos e obscuros num nível acentuado. Deveria existir apenas uma pequena dosagem de precaução apenas para nos proteger, uma autodefesa para não externarmos muitas expectativas, uma leve acidez apenas para conservar o que temos de bom.

Mas não ocorre assim, infelizmente, atos desorganizados e fora de controle em nossas mentes nos atordoa e nos leva muitas vezes a ter uma impulsividade desnecessária. Perder a razão é isso, uma acidez elevada que retira seu raciocínio que muitas vezes estava pertinente, mas fora de controle. Acidez demais não conserva, mas apodrece a parte boa.

Seria uma ótima reflexão se pudéssemos colocar em nossos vidros de conserva as boas lembranças em detrimento das ruins, as nossas conquistas mesmo que pequenas ao invés das sensações de fracassos e frustrações. Deveríamos utilizar em nossos vidros de conserva o bom controle e o bom pensamento aliados ao sentimento de gratidão. Ai sim nossa vida não seria um eterno remoer impregnado de acidez e pulsões que deterioram nosso viver.

Busquem SER boas conservas do amor e não conservas da dor!!



Angélica Falci é Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental/ Psicopedagogia. Foi gestora de Recursos Humanos na empresa SemeaRH, realizou atendimentos públicos na área de Saúde Mental e atualmente atende em clínica particular. Articulista de Revistas realiza seu trabalho em prol de um melhor trânsito a vida.

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