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DESCOBRIR TAMBÉM É INCLUIR!


Inclusão é a capacidade humana de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o direito de conviver, tocar o mundo, compartilhar situações e experiências com pessoas diferentes de nós. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não acontecer, essas pessoas não serão “vistas” e serão sempre dependentes de uma vida cidadã pela metade.

Acredito que o melhor instrumento para reverter todo e qualquer quadro de desigualdade ainda é a educação, no entanto, neste aspecto nós brasileiros ainda estamos caminhando devagar. O maior problema, por mais estranho que possa parecer, é a lei nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Que em seu art.27 assim determina: “A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”.

Sabemos ainda que é um dever do estado assegurar, criar, desenvolver e acompanhar os sistemas e projetos desenvolvidos para a inclusão efetiva de pessoas com algum tipo de deficiência. Toda a teoria, caro leitor, é muito bonita, mas são teorias generalizadas e muitas vezes não olham as especificidades e as potencialidades existentes em cada tipo de deficiência assim como todas pessoas possuem também deficiências que são minunciosamente únicas.Não quero de forma nenhuma menosprezar o que já foi feito ou mesmo a lei vigente, a intenção, neste momento, é apenas mostrar que assim como os dedos da mãos, as pessoas com deficiência não são iguais, cada uma tem seu tempo e sua forma de aprendizagem; umas podem aprender frequentando salas de recreação ou apoio sem maiores cobranças já outras querem e podem serem exigidas “de igual para igual” bastando para isso algumas adaptações tais como: a disponibilização em xerox da matéria a ser dada, a realização de provas orais ao invés de escrita, realização de trabalhos em grupo e não individualmente e tendo a ajuda de uma "mão amiga" em sala de aula que trariam alegria e realização a pessoas como a nossa amiga Rebeca Rodrigues.


Rebeca Rodrigues - Acervo pessoal

Ela nos conta: “O que eu quero mesmo é estudar, me formar e ter amigos, mas tive que parar na 4ª série pois nas escolas em que fui matriculada, os professores não entendiam como fazer comigo, nem ouviam as minhas ideias e sugestões, não respeitavam meu tempo e nem mesmo facilitavam a acessibilidade. Os elevadores estavam sempre quebrados e como sou gordinha ninguém se disponibilizava a me subir escada acima. Havia a sala de apoio mas lá me sentia um pouco “criança”, pois sou alfabetizada, uso o computador e para fazer atividades de artes e concentração não tenho necessidade de ir à escola pois tenho tudo isso no centro de reabilitação que frequento”.

De forma sensível e fácil notamos que quando o assunto é inclusão fazemos uma grande e desnecessária confusão. Projetos faraônicos não são mais eficazes que atos simples repletos de dedicação e compreensão. A disposição em ajudar, descobrir e redescobrir também é Incluir.



Rayane Landim é Estudante de Direito, Assessora Jurídico Inclusiva no escritório Peliciotti Advocacia e modelo fotográfico da Agência Kica de Castro agência para profissionais com algum tipo de deficiência. Anos trabalhando na área inclusiva mostrando sempre que deficiência e eficiência são adjetivos que podem caminhar juntos.

rayane.landim@gmail.com

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