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TECNOLOGIA ASSISTIVA


Tecnologia Assistiva é a mais nova coluna da Dra. Maria Aparecida Ferreira de Mello que é Pós Doutorada em Ciências da Reabilitação Florida University e Coordenadora Geral da Technocare.

Nesta coluna você, leitor, poderá conhecer e tirar suas dúvidas sobre as necessidades de pessoas com deficiência motora e mobilidade reduzida.


No artigo de hoje falaremos porque é necessário uma avaliação específica para identificar qual é o melhor sistema de mobilidade sentado para cada usuário de cadeiras de rodas.

O atendimento às necessidades das pessoas com sequelas das deficiências motoras sejam elas por causas genéticas, doenças ou por trauma, é uma questão de saúde pública. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2010) revelam que 23,9% da população brasileira são acometidas com algum tipo de deficiência, cerca de 7% com deficiência motora. Para o desempenho das atividades de vida diária, para a preservação da autonomia, a acessibilidade e mobilidade, pessoas com deficiências físicas com sequelas que comprometem a mobilidade para deambular, necessitam do uso de cadeiras de rodas.

Com o avanço das tecnologias, em especial a Tecnologia Assistiva para as pessoas com deficiência motora, os benefícios que o uso de cadeira de rodas indicadas de acordo com o grau de funcionalidade do usuário está mais do que comprovado. Essa indicação específica propicia potencializar a mobilidade, autonomia, segurança clínica, garantindo o bem estar e conforto ao usuário com deficiência, bem como de seu cuidador , além de prevenir complicações futuras. Esses benefícios podem se traduzir na efetiva inclusão social desses usuários e possível engajamento dos mesmos em atividades educacionais e econômicas produtivas.

No Brasil existem diversas marcas de cadeira de rodas manuais e motorizadas, cada uma com sua especificidade, sem falar que em um mesmo chassi, há possibilidade de diversas configurações. Ao prescrever uma cadeira de rodas, o profissional de saúde responsável (médico, fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, segundo a legislação brasileira) deve realizar uma avaliação minuciosa das necessidades do usuário, levar em consideração a seqüela motora, as atividades de vida diária, a autonomia e funcionalidade, aspectos do ambiente de uso do equipamento, análise das atividades a serem desempenhadas com o uso da cadeira de rodas, objetivar o menor esforço físico do usuário, a redução do risco de possíveis acidentes no manejo da cadeira, e redução de danos funcionais ao usuário relacionados ao uso da cadeira de rodas.


O design das rodas da cadeira de rodas e de seus acessórios deve propiciar ao usuário a redução do esforço físico e motor de membros superiores na condução da cadeira de rodas, reduzirem o risco de lesões de membros superiores pelo over use, quadros álgicos, além de promover maior autonomia, segurança, funcionalidade, acessibilidade e o transporte.

A visão atual do “seating*” trata de identificar as necessidades de adequação postural dinâmica, em um olhar funcional, de forma a buscar o equilíbrio entre a necessidade de correções ou acomodações posturais de forma a maximizar a função.

O avanço do conhecimento nessa área evoluiu tanto, que há uma tendência em administrar as vicissitudes posturais por posicionamento do maior ponto chave postural que é o quadril por meio do uso de almofadas de posicionamento e excelência distribuição da pressão, além do uso das inclinações ântero-posteriores e látero-laterais do sistema inteiro (“tilt” ântero-posterior e látero-lateral), minimizando o uso de cintos de posicionamento.

E como funciona o Atendimento Especializado para Prescrição de Cadeira de Rodas e Adaptações para Adequação Funcional/Postural que citamos acima?

O Atendimento Especializado para Prescrição de Cadeira de Rodas e Adaptações para Adequação Funcional/Postural ( Seating and Positioning ) é o conjunto de ações que permitem identificar de forma individualizada, de acordo com as necessidades de cada pessoa, um sistema composto de assento, encosto e uma base móvel para aqueles indivíduos que passam a maior parte do seu tempo assentado e que dependam desse sistema para mobilidade, mesmo que seja somente para longas distâncias.

Melhorar o nível funcional de um indivíduo oferecendo-lhe um sistema de seating* estável significa melhorar as funções fisiológicas do usuário de cadeiras de rodas que são afetadas pela postura (respiração, digestão, função cardiovascular – integridade da pele); melhorar sua mobilidade (auto-propulsão ou acessibilidade às cadeiras motorizadas), sua comunicação (verbal ou não verbal – visual, gestos, expressões faciais ou acesso a computadores), possibilitar melhor interação com o meio ambiente: na alimentação, na higiene, no vestir-se, nas atividades vocacionais e no lazer; melhorar os aspectos sociais-emocionais (conforto e auto conceito – a percepção do usuário de si e a percepção dos outros do usuário).

Como isso percebemos benefícios esperados para o usuário que não são poucos!

  • Normalização ou diminuição da influência de tônus anormal e atividade reflexa.

  • Facilitação dos componentes do movimento normal na sequência desenvolvimental.

  • Manutenção do alinhamento corporal, manuenção das amplitudes de movimento dentros dos parâmetros funcionais, controle ou prevenção de deformidades ou contraturas musculares.

  • Prevenção de úlceras por pressão.

  • Aumento do conforto e tolerância da postura desejada.

  • Diminuição da fadiga.

  • Melhora das funções respiratórias, oral-motora, circulatória e digestiva.

  • Maximização da estabilidade para aumentar a função.

  • Facilitação da provisão de cuidados (alimentação, higiene, etc.)

São muitos benefícios, mas quem precisa dessa avaliação/indicação personalizada do sistema de mobilidade sentado? E quem realiza essa avaliação?

Todos os indivíduos usuários de cadeiras de rodas ou outros sistemas de mobilidade sentado (scooters, carrinhos, etc).

Essa avaliação é realizada por especialistas em mobilidade sentada, que podem ser Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas ou Médicos. Na rede de serviços do SUS, esse procedimento é realizado nos locais que fazem a dispensação de órteses e próteses; na rede privada há serviços especializados.


*Sistema de Seating : conjunto da cadeira de rodas com todos os acessórios + almofada + encosto

Espero ter esclarecido pontos de extrema importância para estes indivíduos, mas caso tenha alguma dúvida ou sugestão basta enviar um e-mail que esclareceremos.

Até a próxima!


Maria de Mello é Pós Doutorada em Ciências da Reabilitação/Tecnologia Assistiva/Saúde da Pessoa Idosa, Coordenadora Geral da Technocare e Coordenadora de Educação e Pesquisa do CIAPE.

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