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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS, VOCÊ SABE O QUE É?


No Brasil, o histórico da pessoa com deficiência não é muito animador!

Desde a colonização, a pessoa com deficiência era referenciada por “aleijado”, “enjeitado”, “manco”, “cego” ou “surdo-mudo”, “aberração”, “carma”, entre outros nomes que não valem a pena serem lembrados. A classificação era feita com base no tipo de limitação ao trabalho braçal que cada um apresentava.

Em geral, pessoas com limitações físicas eram encaminhadas para o extermínio, já que não tinham utilidade como força de trabalho. Pessoas cegas e surdas muitas vezes eram trancadas dentro de casa, pois no entendimento da família, aquele era um sinal de um pecado grave cometido por eles e aquele indivíduo estaria “carregando” as chagas necessárias para o “perdão”.

Gente com deficiências mentais era trancafiada em porões e privada do convívio social, eram tratadas como a representação do “mal”. Vale ressaltar que, naquela época, ser pessoa com deficiência e fazer parte da população pobre era uma barreira quase intransponível. Se os pobres já eram vistos com desdém pela sociedade, imagine ser pobre e “diferente”.


Com o passar do tempo (muito tempo), algumas dessas convicções foram se transformando, o que deu início á um singelo processo de mudança na visão que a sociedade tinha da pessoa com deficiência.

No que diz respeito à pessoa surda, foi preciso que um professor francês no ano de 1855 viesse ao Brasil para começar o que ficou conhecido como o reconhecimento social da pessoa surda, já que ele trouxe o modelo de comunicação por meio de sinais, o que conhecemos como Língua Brasileira de sinais – LIBRAS.

Hurt (Professor francês) também era surdo e percebeu no Brasil a possibilidade de contribuir para que a pessoa surda deixasse de ser vista como incapaz, para se tornar um cidadão de fato.

Ao mesmo tempo que Hurt desenvolvia a comunicação por meio dos sinais com a comunidade surda no Rio de Janeiro, as escolas tradicionais e conservadoras do país tratavam a surdez com arrogância e os alunos surdos que chegavam nas escolas eram submetidos a sessões de oralização, nas quais eles eram forçados a aprenderem as palavras por meio da leitura labial, chamadas por eles de comunicação total.

Até aqui, muito se enfrentou para dar autonomia para essa comunidade que tem sua cultura, sua linguagem materna e seu modo de vida bastante rico.

Hoje, é possível verificar que muitas tentativas foram feitas com o objetivo de inserir a pessoa surda no ensino regular e, por muito tempo, a surdez foi apontada como a causa do fracasso escolar, já que vivemos em um mundo dominado pela linguagem oral, o que determina o modelo do ensino/aprendizagem adotado na escola regular.

A Libras trouxe aos surdos a maior e mais concreta possibilidade de inserção em um mundo até então desconhecido. A linguagem de sinais deu autonomia para a pessoa surda e possibilitou o reconhecimento de cidadão para esses indivíduos, até então, marginalizados.

Em 2002, a Língua brasileira de sinais foi reconhecida como a segunda língua praticada no Brasil, uma língua oficial.

Brasília, 24/4/2004 (Agência Brasil - ABr) - Pouca gente sabe, mas o Brasil tem uma segunda língua oficial. É a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que diferente da oral, tem nos gestos e no sistema visual a sua forma de comunicação. Hoje faz dois anos que a Libras foi oficializada pela Lei 10.436.


Nas escolas, os alunos surdos não precisam mais (em quase 95% dos casos) serem submetidos á um modelo que não os atende. Com a aprovação da Lei Brasileira de Inclusão e a sua sanção em Janeiro de 2016, toda escola, além de várias outras demandas, fica obrigada a receber o aluno com deficiência seja ela qual for, adequar o espaço, os materiais e capacitar o corpo docente para proporcionar uma educação de qualidade para todos.


Tatiane Teixeira Alves é Socióloga, formada pela Universidade Católica de Minas Gerais. Pós graduada em Psicopedagogia Clínica, Educação Inclusiva e comunicação Assistiva pela Universidade Cândido Mendes . Sócia fundadora da Assistiva – Acompanhamento Educacional especializado que oferece o apoio pedagógico para pessoas com necessidades educacionais específicas, sob a premissa de que “Se uma criança não consegue aprender da maneira que está sendo ensinada, é preciso mudar o método de ensino para que ela aprenda”.

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