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ALUNX


Fui convidado, há uns 3 ou 4 anos, para dar aulas em uma faculdade do interior próxima a BH.

Primeiro dia de aula, entro na sala, cumprimento os alunos e imediatamente sou abordado por uma jovem magra e falante.

-Ei, professor, seja bem-vindo. Eu sou a Pâmela, adoro essa matéria e queria falar que a turma está muito feliz de ter o senhor aqui.

Agradeci, entre divertido e surpreso com tanta desenvoltura e ela, no mesmo fôlego, emendou.

-Ah, outra coisa. O senhor pode abrir a lista de chamada, por favor?

- Claro.

Respondi e abri minha pasta com os nomes dos alunos.

Ela então se aproximou e apontou um dos nomes com a unha vermelha do fino dedo indicador.

- Tá vendo esse Bernardo aqui? Por favor, o senhor pode riscar e colocar Pâmela no lugar, por favor?

E com um sorriso largo que compunha seu rosto com os olhos grandes emendou:

- Sou eu!

Risquei Bernardo e coloquei Pâmela imediatamente. Não por obrigação, mas pela verdade inegável daquela moça extrovertida.

Somos quem somos, quem sentimos, quem descobrimos. Usamos a roupa que nos é dada pela existência, por Deus, pela natureza ou pelo que seja.

Esse encontrar-se e aceitar-se merece admiração ou, minimamente, respeito.

Respeito que, algumas vezes, se mostra pelo simples uso de um nome, uma identidade.

Uma palavra que diga muito mais do que qualquer opinião que os outros posam ter.



Maurilo Andreas é escritor formado em publicidade, envolvido em projetos sociais e culturais, e um aprendiz da tolerância e do respeito com um longo caminho pela frente.

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