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ESTRATÉGIAS PARA INCLUSÃO COM EFICIÊNCIA


­­­­­Em contato com o trabalho para a inclusão, percebi que há variáveis que facilitam ou prejudicam a inclusão com qualidade de Pessoas com Deficiência, seja no mundo do trabalho, seja para a educação.

Uma estratégia crucial para a implantação de projetos inclusivos é ter a alta liderança apoiando o projeto, assim como colocar em prática a filosofia do movimento:

  • Favorecer a autonomia da Pessoa com Deficiência, entendendo a diversidade de cada um e, se necessário, fazer adaptações físicas nos locais ( lembro-me quando o amigo Scott Rains (escritor e consultor do Turismo para Todos) comentou: “acho muito importante o ato de altruísmo e compaixão que as pessoas têm comigo, por eu estar tetraplégico, mas eu gostaria de ter mais privacidade e autonomia para, ao menos, conseguir fazer as minhas necessidades básicas, quando estou fora de casa”.

  • Trabalhar com todos os profissionais a quebra de ‘Barreira Atitudinal’;

  • Potencializar o trabalho para o olhar de IGUALDADE, não colocando a Pessoa com Deficiência como um ‘coitado’ e nem com um ‘super-herói’, mas sim, valorizá-los como se valoriza qualquer pessoa pelo seu talento e competência;

  • É importante que haja a união entre os profissionais e não a competitividade interna na empresa ou na escola. Faz-se necessário uma equipe multidisciplinar com sinergia para a causa (profissionais de diferentes formações para unir seus conhecimentos e construir juntos métodos para a inclusão com qualidade);

  • ‘Nada sobre nós sem nós’, frase conhecida do movimento. Como falar ou fazer projetos inclusivos sem envolver os interessados? É de extrema importância que haja a presença das Pessoas com Deficiência nas ações inclusivas. Nada melhor do que eles para opinarem, já que são eles que vivenciam a exclusão social ou limitação nos ambientes. Mas também é necessário saber que nem sempre as pessoas com deficiência sabem dessas premissas. Não é porque uma pessoa que tem uma deficiência, ela entenderá a necessidade da outra (afinal, são pessoas como qualquer outra).

  • É de extrema importância que os facilitadores tenham essas premissas enraizadas em seu psíquico, para que, em momentos de conflitos internos, não desviem e prejudiquem o trabalho para a eficiência da inclusão com qualidade.

Infelizmente, assim como qualquer outra atuação, há algumas questões nas pessoas que atrapalham a eficiência do trabalho inclusivo, como: vaidade, orgulho, competitividade, status e dinheiro envolvido nas ações. Já foi presenciado em alguns grupos o ‘provocar a dependência’ do assistido (ou aluno), devido o ganho monetário que a empresa, instituição, ONG ou escola recebe de cada um.

Hoje, em momento de crise econômica no Brasil, alguns profissionais têm medo de perder o emprego. Muitos acabam ‘abraçando’ projetos sobre a inclusão, sem saber de fato sobre o movimento e, ao invés de construir trabalhos conforme o movimento realizam projetos conforme o que tem com o seu senso comum, construindo ações não sustentáveis, pois precisará ser refeito (envolvendo gastos financeiros) se for realizado de modo errado.

Como fazer a inclusão com qualidade?

  1. O grupo necessita do entendimento e apoio das lideranças para os projetos;

  2. Verificar na equipe as pessoas que têm a competência para trabalhar no projeto, como:

  • O saber técnico e científico;

  • Estrutura interna e psíquica já transformada conforme as premissas (observado em suas ações e comportamentos com o outro);

  • Saber trabalhar em equipe, com respeito à diversidade, tendo liderança democrática e não autoritária;

  • Ter significado coerente sobre o valor do trabalho inclusivo: o movimento é para a sociedade e não para o profissional se autopromover ou aumentar a sua vaidade e orgulho;

  • A pessoa precisa ter coragem para enfrentar os desafios e bloqueios que encontrará pelas resistências a mudança, criadas pelos outros.

  1. Construir projetos estratégicos para a mudança da Cultura Organizacional, com as premissas inclusivas.

  • É necessário o trabalho para a mudança interna de cada um no grupo, com a tentativa de eliminar os preconceitos, a discriminação e barreiras atitudinais;

  1. Capacitar os profissionais para a inclusão;

  2. Analisar a eficiência: fazer avaliação dos projetos, verificando os pontos a melhorar;

  3. Escutar os interessados: as Pessoas com Deficiência;

  4. Analisar os dados para novos projetos.

"A inclusão começa com a mudança interna de cada um". Contamos com você!

Luciane Kadomoto



Luciane Kadomoto é Psicóloga, pós-graduada em Educação Inclusiva e Deficiência Intelectual pela PUC SP, especialista em inclusão de Pessoas com Deficiência para o mercado de trabalho, docente do Senac Jundiaí, professora de Psicologia, Relações Humanas e inclusão em cursos de Administração, Orientadora e Consultora de educação inclusiva. Psicóloga Clínica. Atuante na área desde 2004.

kadomotolucianemidori@gmail.com

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