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LIMITAR COM AMOR PARA CRESCER


Está sendo visto um crescimento elevado de pessoas muito dependentes, sem condições de tomarem decisões por si só, de assumirem responsabilidades sem medo e consequentemente o crescimento do transtorno de dependência.

Podemos salientar aqui a questão ambiental/familiar que está passando por muitas modificações nos últimos tempos. Muitos atributos da modernidade chegaram e assim também muitas facilitações. Mas não podemos deixar que essas facilitações sejam deslocadas para a construção da personalidade, precisamos evitar que as crianças cresçam com falta de coragem, de posicionamento, de ousadia, de criatividade, sem tomada de decisões e desejando apenas o que é fácil; sendo a desistência o caminho tomado sem dor na consciência para muitos.

Uma geração de pais que tiveram que aprender a se posicionarem, trabalharam muito, mudaram sua condição de vida e saíram de famílias numerosas e com muitas dificuldades, onde todos se ajudavam e o pouco era valorizado.

Mudaram para o caminho de “dar o melhor” para seus filhos, mas veio uma inversão de valores, pois dar “TUDO” não é educar, dar tudo não é um ato de amor. Muito pelo contrário, colocar seu filho numa redoma, saciado em todos os desejos e extremamente protegido, tem inúmeras consequências, dentre ela, a profunda insaciedade material e emocional.

Ver uma geração de pessoas perdidas, inseguras, sem boas referências, sem atitudes, que esperam muito do outro e pouca força e ambição expressam é sim um sinal de preocupação e reflexão. Dar conforto e melhores condições ao seu filho não é o problema, mas o engessamento mental sim. A falta de estímulos do crescimento psicossocial tem um lastro perigoso e as vezes irreversível.

Dar limites e Amor são uma construção de valor imensurável e se você ainda conseguir fazer com que seu filho realmente descole de você, se sinta independente, seguro e saiba buscar suas conquistas, aí sim não tem como não vibrar com toda gratidão possível. Processo este de grande valia.

Muitas pessoas ainda consideram como antigamente: “vou criar bem meu filho” criar é diferente de educar, Içam Tiba apontou em suas obras muitos pontos de importante atenção. Segundo o Psiquiatra: “Educar não é deixar a criança fazer só o que quer (ou seja, buscar a saciedade). Educar dá mais trabalho do que simplesmente cuidar dela, porque é necessário prepará‐la para a vida”. Içami Tiba

A construção da personalidade se faz muito presente com os limites e AMOR presentes. O que surgem muitas vezes em atendimentos são famílias extremadas, ou dão excesso de proteção e produzem pessoas inseguras e insensatas ou são rudes e brutos, pois querem apenas limitar e assim formam pessoas traumatizadas e depressivas.

O que ocorre são as repetições em formatos familiares inconscientes e falidos. A grande arte da Vida com filhos é observar para não REPETIR ciclos nocivos e também não ir radicalmente para o oposto sem critérios e conhecimento. Não existe receita pronta, mas existe bom senso, e este nunca falha.

Faça realmente o Melhor para o seu filho. Encha ele de muito amor, elogios, ajude na construção da sua autoestima e diga: Não toda vez que não for pertinente a realização dos seus desejos. Vocês são pais e não o “gênio da Lâmpada”.

“E os filhos são como navios... A maior segurança para os navios pode estar no porto, mas eles foram construídos para singrar os mares”. Içami Tiba



Angélica Falci é Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental/ Psicopedagogia. Foi gestora de Recursos Humanos na empresa SemeaRH, realizou atendimentos públicos na área de Saúde Mental e atualmente atende em clínica particular. Articulista de Revistas realiza seu trabalho em prol de um melhor trânsito a vida.

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