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SOBRE A EDUCAÇÃO...


Sobre a Educação

Algum professor fez uma crítica aos brasileiros que está me fazendo refletir um pouco agora. Ele disse em palavras mais nobres que o brasileiro economiza na porcaria. Fiquei pensando, pensando....Outro professor disse que quem paga mal, paga duas vezes... Aí eu lembro daquela família com bons poderes aquisitivos que economiza na educação do filho, fato comum. Aí passa uma vida toda na escola para o filho depender de relações públicas da família para conseguir emprego, jamais pelo esforço próprio. Fico feliz que meus pais não economizaram nisso. Não sou rica, mas estudei em uma boa escola e pasmem! Agora uso meu cérebro para tentar emprego, estudos....Não que isso seja reconhecido, mas...posso andar com minhas próprias pernas. Até mesmo porque se dependesse de relações públicas da família, estaria desempregada até hoje, não somos importantes. Isso me faz pensar também para onde vai aqueles coleguinhas que não queriam nada com nada, que tomavam o atalho, que se esforçavam pouco...Hoje são os que têm emprego garantido pela família e são formadores de opiniões....Opiniões de quem dormiu na aula de História, de quem nunca ligou para Geografia ou Português....claro, falo das matérias que sou boa, mas era um desastre em exatas, mas não ficava dormindo em sala, esforçava, e mesmo não sendo útil para a minha vida cotidiana (em termos práticos), sei reconhecer a importância dessas matérias na nossas vidas. Seria difícil imaginar um mundo sem engenharia.

Por outro lado, se você é classe média, você está de saco cheio de nosso governo privatizando tudo e nós pagamos duas contas: a escola pública e a escola particular, o imposto de estradas e os pedágios, e possivelmente, em um futuro próximo, o INSS e o plano de aposentadoria privado...Na nossa Constituição, é dever do Estado prover educação e saúde, para falar do mínimo. Então, entendo também que você se recuse a pagar duas vezes pela mesma coisa....

Mas a gente tem que viver a nossa realidade como é, não como gostaria que fosse. Eu iria adorar ter viajado por exterior desde criança (que, para nós, brasileiros, é ostentação), ter tido o melhor tênis da escola, a mochila "Company" da minha época. Mas a verdade é que não é possível financiar tudo o que gostaríamos e, no país que vivemos, na realidade que temos, é necessário os sacrifícios, infelizmente.

Então, como a todos na vida, são ofertados vários caminhos. Mas poucos estão dispostos a pagar o preço de uma vida mais difícil, em troca, por exemplo de uma escola um pouco melhor. E isso reflete nos políticos que escolhemos, que também não estão tão interessados assim em austeridade em troca de uma boa educação. Não acredito também que o brasileiro faça "corpo mole" e não queira se esforçar. Todos que conheço à minha volta estão dando um duro danado, salvo exceções. Isso tanto é verdade que brasileiro no exterior é muito bem requisitado para trabalhar. No exterior, somos mais reconhecidos do que aqui. Nossos patrões lá conversam de igual para igual, reconhecendo o nosso trabalho, enquanto nossos patrões daqui nos sobrecarregam com mais trabalho ainda, caso você seja competente. Isso explica porque lavamos privada felizes no exterior, pois com o dinheiro de lá, lavando privada, dá para ter uma vida digna, coisa que dificilmente ocorre aqui.

E é essa questão que quero falar: o Brasil é recorde de desigualdade social e muitos da classe média ficam exasperados quando alguém começa a investir muito em educação, "dinheiro perdido". Pois li nesses livros norte-americanos de como ganhar dinheiro, que educação nunca é gasto, é investimento. As pessoas não percebem o quanto faz mal essa enorme desigualdade social, o quanto perdemos todo ano de PIB por isso, as pessoas não percebem. E se entrincheiram: os da Direita que não agüentam mais impostos e os da Esquerda que querem mais investimento social, correndo o risco, com isso, de se aumentar os impostos. Mas, no fundo, no fundo, não existe trincheiras. Estamos todos na mesma vala comum.

E acredito que a saída, como sempre, é educação, o ato mais revolucionário que existe e que governo nenhum está disposto a financiar, porque gente com educação "dá trabalho" e questiona. Então acaba que pagamos duas vezes: a escola que deveríamos ter direito e a escola que talvez seja um pouco melhor. Pagamos duas vezes: sem educação, é necessário fomentar a corrupção, para colocar meu filho desempregado para trabalhar e não o profissional mais competente. Deixamos de produzir de forma decente. Estamos fomentando a mentalidade do nosso governo, aumentando as desigualdades sociais, o que nos fazem fugir para outro países, em busca de um mínimo de dignidade. Então, voltando à fala do professor, sim: nós, brasileiros, pagamos por tudo duas vezes. Ou até mais vezes.

Então, quando dizem que não sabem de onde surgem esses brasileiros com pensamentos tão retrógrados quanto à política, eu digo que sei de onde surgem: são aqueles meus colegas que dormiam em sala ou menosprezavam a importância da determinadas matérias. Os nossos patrões, muitas vezes colegas meus também, aprenderam a economizar na base da porcaria, exemplo que aprendem em casa e a que parece que nossas escolas estão fracassando em mudar isso. Tem os brasileiros também que saem de escolas públicas sucateadas, que mal conseguem assistir aula. Essas pessoas, todas juntas, formamos o Brasil. Então sim, eu sei de onde vem o político que menospreza a educação: ele vem de nós, do povão. De nós, que não podemos sentir falta de algo que nunca tivemos.



Lígia Ríspoli D'Agostini é formada em Jornalismo, tendo pós-graduações em Communication Brand e Comércio Exterior. Atualmente é estudante de Direito e autora de poesias do livro "Variáveis sobre um mesmo tema-uma viagem pela alma. É também possui surdez moderada em ambos ouvidos, tendo que usar aparelhos. Ela espera, com o Tendência Inclusiva, contar alguns casos sobre "viver na pele" a deficiência auditiva.

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