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DÓI, MAS CONSTRÓI


Sentir a dor da perda não é um processo simples. Em algum momento na vida sofremos perdas, desde as mais simples até as mais dolorosas. As reações é que costumam surpreender. Há quem lide bem com elas, mas outras perdem completamente a estabilidade emocional.

Ao escrever sobre as famílias que enfrentam o doloroso desafio de lidar com a perda, gostaria de propor algumas reflexões. O luto é um processo subjetivo, íntimo e não existe tempo para que seja elaborado.

Certa vez, em um atendimento, uma pessoa desabafou que evitava falar sobre o assunto pelo fato de ser alvo de críticas e censuras.

A sociedade costuma ser intolerante até mesmo com a dor do outro. Não raramente há a tendência de se impor um tempo para que o enlutado processe a dor, que como disse, é algo extremamente particular.

Sofrer por muito tempo é considerado um absurdo, quando o absurdo está em determinar tempo para isso. Para o que o outro sente.

Não existe um tempo determinado para esse tipo de superação. Cada pessoa tem o tempo certo. Exige paciência e muito amor para que o ‘momento cinza' passe e assim venham novas perspectivas. 

Alguns conseguem lidar bem com a perda porque existe certa preparação psicológica, um entendimento mais profundo no âmbito psíquico sobre os ciclos da vida, portanto, maior aceitação. 

Quando não existe esse entendimento, o enlutado pode passar por várias fases em primeira instância, como a negação e a revolta. É evidente que se o indivíduo não caminhar para a aceitação, entrará em ação os sintomas psicológicos de produção negativa. A depressão é o maior precedente. A incapacidade de superação aprisiona o enlutado no passado e o reflexo disso pode ser a amargura e o fechamento em si. 

Preparar-se para a perda é algo complexo: depende de uma abertura psicológica para vencer o tão temível medo da morte.

Culturalmente para nós, ocidentais, isso não é algo natural como em outros países. Mas internamente podemos sim fazer um grande favor a nós mesmos e encarar a perda como um aprendizado. Apesar de todo o sofrimento causado, pode ser um caminho para novas construções e ajustes emocionais, levando a ganhos diferenciais na vida. Temos que lutar para viver bem e quando chegar o momento difícil, possuir as ferramentas psicológicas necessárias para prosseguir. Um bom caminho.



Angélica Falci  é Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental/ Psicopedagogia. Foi gestora de Recursos Humanos na empresa SemeaRH, realizou atendimentos públicos na área de Saúde Mental e atualmente atende em clínica particular. Articulista de Revistas realiza seu trabalho em prol de um melhor trânsito a vida.

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