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DISFUNÇÕES NO TRATO URINÁRIO DA SÍNDROME DE DOWN


Na coluna desta edição, vamos abordar as principais disfunções no trato urinário inferior que acometem as crianças: incontinência urinária; a enurese noturna; a retenção urinária e a constipação intestinal.

Existem poucos estudos nessa área direcionados às pessoas com síndrome de Down (SD). Sabemos que o controle cognitivo da micção nessas crianças acontece mais tardiamente. Isso se deve ao atraso psicomotor, fator que influencia o nível de treinamento esfincteriano.

As meninas geralmente conseguem concluir esse treinamento mais cedo.

É importante ficarmos atentos aos sinais de prontidão: fralda seca por uma hora e meia ou durante o sono da tarde, incômodo com a fralda molhada, autonomia para se locomover sozinha de um local para o outro, habilidade para caminhar, controle evacuatório regular.

Por se tratar de algo desafiador, é importante que os pais e as crianças estejam preparados para vivenciarem esse período.

Outro fator de extrema importância em crianças com a SD é observar se ela vai poucas vezes ao banheiro, pois isso pode acarretar problemas urinários, como resíduo elevado, infecções de urina e até perda de função renal.

A constipação, também, é muito comum, podendo ser consequência da combinação entre o tônus da musculatura intestinal reduzido e a diminuição do peristaltismo intestinal associados a uma dieta inadequada e pouca ingestão hídrica.

A fisioterapia pélvica juntamente com o tratamento clínico (médico), psicológico e nutricional contribuem significativamente para a melhoria da qualidade de vida dessas crianças e para evitar graves problemas futuros.

O tratamento é iniciado com uma avaliação fisioterapêutica usando o biofeedback eletromiográfico, equipamento usado tanto para avaliar a musculatura do assoalho pélvico quanto para o tratamento. De forma lúdica, a criança aprende a identificar e, em seguida, a modular a musculatura pélvica, promovendo o relaxamento e melhorando a dinâmica de esvaziamento perineal adequada.

Paralelo às sessões terapêuticas, as famílias realizam o diário miccional, que é uma ferramenta de medida extremamente útil e simples, que relaciona a ingestão de líquidos, o volume urinário, a necessidade de urinar e eventuais perdas.

Aliado a isso, há a uroterapia (modificação comportamental associado ao treinamento dos músculos do assoalho pélvico), que possui um grau de recomendação alta, porque sozinha tem provado ser clinicamente útil para as crianças e leva a menores efeitos adversos.

Para algumas crianças recomendamos o uso do relógio condicionador, que possui múltiplos alarmes que foram desenvolvidos para condicionar os intervalos miccionais ideais, de acordo com a necessidade de cada criança, o que ajuda inclusive na autonomia da criança.

Esses são alguns dos recursos disponíveis para o tratamento através da fisioterapia pélvica. A escolha destes recursos é individual e específica para cada criança, sendo definida de acordo com a sua avaliação clínica e física. Para que o tratamento seja eficaz é muito importante que toda a família esteja empenhada a aderir ao tratamento, contribuindo assim para uma melhora na qualidade de vida dessa criança, o que facilita a inclusão.


Glaucia Cristina Medeiros Dias, é fisioterapeuta, pós-graduada em Fisioterapia na Saúde da Mulher pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Trabalha como fisioterapeuta voluntária no projeto de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais: Organização do Centro de referência para informação e atendimento das disfunções do trato urinário inferior na infância e adolescência. Possui curso de extensão de disfunções miccionais e coloproctologicas na infância.


“Aplicar os conhecimentos teóricos, adquiridos na academia, no cotidiano das crianças é meu maior objetivo, principalmente no auxílio para as crianças com síndrome de Down. Nada mais gratificante que o olhar heroico de uma criança em busca da evolução em seu estado clínico”

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