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TEMPO MEU


Tempo que tanto prezo, desejo e não consigo organizar. Onde está você?


É comum ver pessoas relatar dificuldades em lidar com o tempo. Falam das muitas tarefas cotidianas, queixam-se que gostariam de ter tempo para fazer outras coisas, que não sentem o tempo passar e por aí se vai uma infinidade de relatos.


Penso muito a respeito do assunto e compartilho algumas considerações.


A maioria vai concordar com a aceleração social da atualidade, com o alto nível de exigências que faz com que crianças e adultos sejam inundados de atividades para preencher o tempo e seguir numa busca incessante de conhecimentos e aprimoramento de possíveis dons. Tempo ocioso é malvisto nos tempos "modernos". Tornou-se importante falar sobre o tanto de atividades que se executa por dia, por exemplo: que o filho não tem nenhum horário livre e etc. E assim segue um discurso sobre o denso automatismo moderno.


Na verdade, isso que presenciamos refletem inúmeras consequências. Percebem-se uma intensa fadiga e oscilações comportamentais em grande parte das pessoas. Elas trabalham, cuidam de sua casa, preocupam-se em aprender vários idiomas, têm a necessidade de praticar exercícios físicos, fazer novos cursos nos finais de semana e... e... e...


Em resumo, o estresse acumulado fica visível e satura o bom viver, ou seja, as pessoas não conseguem refletir, aprofundar as boas conversas, falar de suas percepções ou sobre as coisas boas e valorosas da vida. Estão cansadas demais e, de certa forma, afastadas delas mesmas. Passam a agir de forma mecânica", e o prazer verdadeiro fica em segundo plano.


Com certeza é necessário desenvolvermos atividades profissionais, sociais, familiares, espirituais e físicas. É vital que possamos ativar todas as áreas de nossas vidas, mas com o devido equilíbrio e foco nas devidas prioridades.


Observe-se para não cair na "rede" do: “está na moda e vou fazer também". O ‘modismo’ engole grande parte das pessoas que vivem em ritmo acelerado e sem nenhuma qualidade de vida.

Muitos investem tempo em atividades que não têm nada a ver com eles. Essas pessoas seguem exercendo essas atividades somente para impressionar, como se isso fosse sinônimo de status.


Cuidado!


Lembre-se que o tempo é precioso. É preciso dimensioná-lo com obrigações e prazeres para que o melhor da vida seja vivenciado com intensidade. As crianças que aprendem essa lição levam a vida sendo agraciadas pela segurança emocional, com tendência de buscar atividades que verdadeiramente vão trazer resultado, prazer e alegria. Descobrem desde cedo que não precisam ser o "Sr. Sabe-Tudo" e que a perfeição compete ao íntimo de fazer bem aquilo que se ama. Para elas, o tempo pode ser um grande aliado caso seja ajustado às reais prioridades.


Nada melhor do que ter "Tempo meu"; de parar e cuidar de si. Isso pode significar não fazer nada, curtir o ócio ou estar no salão, na academia, na terapia ou debaixo de uma árvore conversando com seus "botões" ou com uma pessoa em especial. Ficar assim é tudo de bom, quando temos tempo para sentir a VIDA e não sermos devorados pela esmagadora falta de tempo.







Angélica Falci é Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental/ Psicopedagogia. Foi gestora de Recursos Humanos na empresa SemeaRH, realizou atendimentos públicos na área de Saúde Mental e atualmente atende em clínica particular. Articulista de Revistas realiza seu trabalho em prol de um melhor trânsito a vida.

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