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AUTISMO INVISÍVEL


Pesquisa recente da Escola Bloomberg de Saúde Pública, nos Estados Unidos aponta que a prevalência do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) aumentou, em 2018, de 1 para cada 59 crianças. Isso marca um aumento de 15% em relação ao último levantamento, feito há dois anos.


Até há pouco tempo, costumava-se pensar que o autismo era mais comum em homens do que em mulheres, mas, atualmente, essa relação está sendo reconsiderada. Os estudos apontam não mais 4 homens para 1 mulher, e sim 2 para 1. E há quem aposte em uma proporção ainda menor. Segundo Judith Gould, da National Autistic Society a relação seria, na verdade, de 1,5 para 1. Ou seja, quase não existiria diferença. O que se observou até aqui, na verdade, é que o autismo em meninas é mais difícil de se diagnosticar. Dessa maneira, os meninos tinham quatro vezes mais chances de serem identificados com TEA do que as meninas.


Essa revisão de indicadores aponta, ainda, para um maior número de diagnósticos na fase adulta. Estima-se que o autismo atinja 1% da população mundial, 70 milhões de pessoas, conforme dados da Organização Mundial da Saúde. Desses, dois milhões estão no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Onde estão e como vivem os autistas diagnosticados na idade adulta ou aqueles que cresceram conhecendo o diagnóstico? Há um consenso dentro da comunidade autista de que depois dos 18 anos, o autista se torna invisível.


Não há mais como desconhecer essa invisibilidade dos autistas adultos. Pedro de Lucena, 21 anos, autista não oralizado, escreve ricos poemas por meio da comunicação alternativa. Gabriela Martins, 29 anos, autista leve, formou-se em Gastronomia no último mês. Outros tantos autistas de vários estados brasileiros e de Portugal foram ouvidos por mim e são personagens do meu livro mais recente, “Camaleônicos – a vida de autistas adultos”.


Até quando vamos perder valores e talentos em nosso país, seres humanos que podem fazer girar a economia brasileira, sem precisar de, necessariamente, viverem do benefício assistencial dado às pessoas com deficiências?

O deficiente pode produzir e ter vida social se as barreiras do meio ambiente, que o limitam, forem retiradas. Como disse o jornalista Roberto Mendonça, editor de Camaleônicos: “É preciso aprender e é possível admirar o quanto os autistas em geral são inteligentes, eficientes, francos e sensíveis. E por mais que se desenvolvam em busca de aceitação e sucesso, não se pretendem atores neste mundo de ignorância e hipocrisia que cada vez mais se propaga em palcos melodramáticos de televisiva tristeza coletiva ou de guizos falsos da alegria padrão Facebook”.


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Selma Sueli Silva é jornalista, radialista, youtuber, autora dos livros "Minha Vida de Trás pra Frente" e "Camaleônicos" e coautora de "Dez Anos Depois". Foi diagnosticada com TEA em 2016. Mantém o portal "Mundo Asperger".

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