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A GUERRA QUE NÃO EVITO



Por que muitas pessoas desejam viver a tão sonhada paz, e fazem o inverso? Por que tantos indivíduos dão um ‘tiro no próprio pé’? Escutamos muitos relatos, queixas e dificuldades quando observamos alguns do nosso convívio. Muitos se dizem focados em promover mudanças em suas vidas. Mas o que geralmente vemos é a fixação do indivíduo em zonas emocionais nas quais ele deseja transformar. Entretanto, pouco ou nada se esforçam para isso.


Ter foco é se concentrar nos objetivos e caminhar em direção à busca de resultados. É algo bem sistêmico. O foco não foi feito para ser fixado na mente nem a criar a ilusão de estar contribuindo para uma mudança. Ter foco é agir com atitude e dar passos largos rumo às transformações. Os registros inconscientes geralmente contribuem para essa fixação nociva. Em sua maioria, essas marcas foram experiências pouco prazerosas, mas que, de alguma forma, ajudam a ligar o ‘alerta psíquico’. Assim, fazem com que a pessoa deseje a mudança, mas continue imóvel.


Escutamos relatos – muitos convincentes – de que X ou Y está fazendo para modificar suas zonas de conflito.


Mas, por diversas vezes, a realidade mostra o contrário: uma intensa fadiga por nadar contra a maré. Uma pessoa que deseja se libertar de sua ‘guerra emocional’ geralmente tem consciência da própria vontade, mas não encontra forças para agir. Por isso sintomas, como a angústia constante e a depressão, surgem como uma avalanche.


O filme Um homem de Sorte nos mostra claramente este poder do inconsciente. Como uma pessoa pode destruir o seu viver mediante registros mal resolvidos e assim se desconstruir aos invés de se erguer de forma mais estabilizada.


É fundamental termos a consciência de como queremos chegar a uma determinada situação e o que fazer para evitar o desassossego. A tão sonhada paz interior não é uma utopia. Ela pode ser conquistada e sustentada por muito tempo. É óbvio que existem fatores externos que influenciam nessa manutenção. Mas a forma como conduzir as adversidades faz toda a diferença.


Então, por que parece tão complicado e distante ter foco e agir ao mesmo tempo?


Ora, o ser humano tem certo prazer de absorver alguns conflitos. A afirmação pode soar estranha e até mesmo incoerente, mas tem seu fundo de verdade. Em vários casos, um registro mal-localizado passa a valer como verdade, trazendo ganhos secundários para a pessoa. É que em muitas situações o indivíduo pode intensificar seus conflitos para obter o olhar, a atenção e a vitimização do outro, sentindo-se, assim, ‘confortável’.


Mas é bom ressaltar: sair da ‘zona de conflito’ traz ganhos muito maiores e duradouros. Além disso, controlar as emoções e não criar expectativas ousadas em relação ao olhar e à forma como o outro o valoriza sugere o encontro com a paz interna. Ser amado, valorizado e aceito faz parte da constituição humana. No entanto, esse processo deve ser natural e leve. Não force a barra! Faça um favor a si mesmo e não intensifique sua guerra emocional. Isso trará frutos grandiosos para o seu caminhar.








Angélica Falci é Psicóloga Clínica, Especialista em Saúde Mental/ Psicopedagogia. Foi gestora de Recursos Humanos na empresa SemeaRH, realizou atendimentos públicos na área de Saúde Mental e atualmente atende em clínica particular. Articulista de Revistas realiza seu trabalho em prol de um melhor trânsito a vida.

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