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O BRASIL É PCD!


É fundamental mudar a perspectiva sobre o universo das pessoas com deficiência para que possamos avançar.


Se não fizermos algo para mudar a atual realidade das Pessoas com Deficiência no Brasil, não irá demorar muito para termos um novo caos social instalado. Isso, se já não o temos. 


Há poucos mais de um ano e meio, e logo após a amputação da minha perna, além de me ver vencendo todos os dias minhas próprias limitações e as barreiras que o mundo convencional nos impõe, iniciei um profundo mergulho no universo das Pessoas com Deficiência, conhecendo histórias de superação mas, principalmente, as lutas diárias que a exclusão e a inacessibilidade causam.


Universo PCD, segundo dados do IBGE *, representa 6,7% da população. Ou seja, 14 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência, seja física ou cognitiva. Isso, sem contar os idosos, que abordo mais à frente, que elevam esses dados para quase 22% ou 44 milhões de pessoas.


O número é tão assustador que fica fácil compreender porque o "caos maior" está ali na frente nos esperando. 

Afinal, se 7 em cada 100 Brasileiros  (ou 22 contanto os idosos) possui alguma deficiência, de nada adianta falar em saúde, educação, esporte, lazer, cidades, urbanismo, transportes etc, sem inserir "inclusão, acessibilidade e mobilidade", rigorosamente em todas as discussões, planejamentos e ações.


Este é ponto: o Estado ainda governa mais para os convencionais e menos para os diversos grupos de PCDs. E, não diferente, o setor privado segue na mesma linha, raras algumas exceções.


Assim vem sendo ao longo de décadas. Primeiro se fazem as ruas, os passeios (calçadas), os pontos de ônibus e "depois a gente vê se os deficientes passam por lá". Se planeja o trânsito, o sistema público de transporte e "depois a gente vê se os deficientes conseguem utilizar". Se constroem as escolas e definem todo o calendário escolar/acadêmico e "depois a gente vê se os deficientes físicos conseguem entrar, se os autistas, os cegos e os Down podem ser ensinados lá". 


Muitas mudanças vêm sendo promovidas visando a inclusão, é verdade, mas para avançarmos é preciso que todos os atores estejam em sintonia e sob uma nova perspectiva do universo PCD*. 







Agora que se discute a reforma da previdência, emerge a preocupação em relação ao envelhecimento da população que vai se tornando parte cada vez maior. 


Com isso temos, além de todo o universo PCD, o grande número de idosos que, querendo ou não, passam a contar com limitações físicas e cognitivas que se aproximam das Pessoas com Deficiência. 


Teremos no futuro não muito distante, considerando essa perspectiva, mais PCDs do que convencionais. Afinal, você que me lê agora, se ainda não é, tem grandes chances de se tornar uma pessoa com Deficiência. 



Vamos continuar olhando para isso inertes ou morosos? Jamais!! 


O Brasil é PCD!


É necessário e urgente desarticular a cultura separatista que vivemos hoje dentro das próprias estruturas do Estado.


Os órgãos de governos responsáveis em assistir as pessoas com deficiência, precisam ser remodelados, literalmente chacoalhados. Devem ser mais empreendedores agora para serem menos assistencialistas ali na frente. Necessitam se voltar para dentro das próprias estruturas publicas, implementando em todos os níveis e esferas a inclusão, acessibilidade e mobilidade. A inclusão deve ser vista como "parte"  e não como peça.


Apesar dessa realidade e da abordagem parecer um tanto sombria, sou um otimista nato. Acredito da "mudança de perspectiva" sobre o tema e na interação entre governos, terceiro setor, PCDs e setor privado para darmos um importante salto.

Devemos, todos, repensar as existentes e elaborar novas políticas públicas com a mente nesse cenário que se projeta e nesta nova ótica e, no embalo, já eliminar o termo "deficiência" das pessoas com alguma "característica específica", seja de mobilidade reduzida ou outras.


Mais que inserir, vamos educar e reeducar para integrar, reduzir diferenças, melhorar a autoestima e impulsionar o potencial de milhões de pessoas que, hoje, esperam. Somente esperam.


Esse é o momento!


Aos Governantes e legisladores: contamos com vocês e, vcs, contem conosco. 




*PCD: Pessoa com Deficiência






Alexandre Bersan Carneiro foi empresário de T.I, Diretor da Federação das Ass Com de MG, Palestrante, Consultor em Desenvolvimento de Negócios Estratégicos e, desde sua amputação, se dedica a causa da Pessoa com Deficiência.


#alexandrebersncarneiro

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