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O AUTISMO NA PERSPECTIVA DA NEURODIVERSIDADE


Recentemente, eu e minha mãe Selma Sueli Silva, ambos diagnosticados autistas, fomos convidados para ministramos palestra em uma Universidade a respeito do autismo sob a perspectiva da neurodiversidade. Conforme consta no livro “Dez Anos Depois” (p. 56), de nossa autoria, “o termo neurodivergência (ou neuroatipicidade ou neurodiversidade) surgiu em 1999, com a socióloga australiana Judy Singer. Ela era autista (Asperger) e defendia que o espectro autista não era doença, ou seja, algo que precise de cura, e sim uma forma diferenciada do funcionamento do cérebro. O autismo seria, segundo essa socióloga, uma característica inata que merece reconhecimento e respeito assim como etnias, orientações sexuais, por exemplo.”


Neste mesmo livro, defendo, sob diversos vieses, a importância deste conceito para proteger os direitos das pessoas autistas, em uma “gama de questões não apenas ligadas a determinado transtorno mental, mas sim a toda a complexidade da vida humana e suas relações.” (p. 14). Fato é que os autistas estão crescendo, na mesma proporção em que muitos adultos recebem diagnóstico tardio, e nós queremos ser ouvidos.


O ativismo pelos próprios autistas também é um dos pontos chave do meu lançamento mais recente, “Neurodivergentes”, uma obra jornalístico-acadêmica publicada em março deste ano como meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) em Jornalismo. Um mito comum sobre a neurodiversidade é que ela seja contrária a intervenções em autistas, quando na realidade este conceito visa iniciativas e políticas públicas que irão melhorar a qualidade de vida e as formas de comunicação do autista, e não à cura do autismo.


Lembro-me da fala de uma autista sobre este assunto: “se vocês quiserem curar os autistas, primeiro devolvam seus smartphones. Afinal, quem desempenhou um papel importante na criação do computador moderno e foi pioneiro na inteligência artificial e na ciência da computação, foi Alan Turing. Ele estava claramente no Espectro”. A história de Turing pode ser conferida no filme “O Jogo da Imitação”. Como revelo em “Neurodivergentes”, em que entrevistei diversos pesquisadores, a inteligência do autista é subestimada pelos testes de QI desenvolvidos para pessoas sem déficit na comunicação. Além disso, existem características específicas do cérebro autistas, como a capacidade de foco e percepção de padrões, que lhe conferem algumas “vantagens” neste conceito complexo que definimos como inteligência. Como diria a PhD autie Temple Grandin, “o mundo precisa de todos os tipos de mentes”!


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Victor Mendonça é jornalista, apresentador, youtuber e autor dos livros "Outro Olhar", "Danielle, Asperger", "Neurodivergentes" e coautor de "Dez Anos Depois." Foi diagnosticado com TEA aos 11 anos. Mantém o portal "Mundo Asperger".


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