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QUANDO A TECNOLOGIA É TRABALHADA A FAVOR DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA



Um grupo da minha faculdade apresentou um trabalho sobre aplicativos que auxiliam as pessoas com deficiência. Claro, não pude deixar de anotar para passar aqui. Existe um que se chama “Be my eyes”, na qual um deficiente visual usa a câmera do seu celular para filmar a televisão e perguntar, por exemplo, se ela já está ligada ou não. Imediatamente um voluntário é acionado pelo aplicativo para ver por ele. Qualquer pessoa pode se voluntariar para ajudar nesses casos. Um outro também auxilia os surdos que falam a linguagem dos sinais, LIBRAS. Quando uma pessoa fala, imediatamente o aplicativo transforma essa fala em linguagens de sinais, permitindo, dessa forma, um diálogo entre quem não é surdo e não sabe a linguagem de sinais e quem é. O nome é “Hand Talk”. Por último, existe o “Guia de rodas”, na qual os usuários interagem, postando que lugares são acessíveis ou inacessíveis para quem usa cadeira de rodas.


Outro dia ouvi por acaso que também já se está fabricando um aparelho de ouvido que faz tradução simultânea em diversas línguas, no mínimo muito interessante também. Comentamos sobre o possível valor do tal do aparelho, se será ou não acessível.


Existe uma outra tecnologia também, antiga e que nunca cai de moda, que se chama empatia e deve ser usado em larga escala: não apenas para os deficientes, mas para qualquer outro ser humano próximo. Concordo que é uma arte difícil de dominar e tem que ser treinada todos os dias.


A empatia consiste em tentar entender o outro, se colocar no lugar do outro. Não é necessário ser nenhum especialista para ajudar um deficiente. Dessa forma, um cadeirante em maus lençóis nas ruas esburacadas, pode ser ajudado, da mesma forma que o cego que tenta atravessar a rua.


Veja bem: os aplicativos “Be My Eye” e o “Guia de Rodas” precisam de interação entre pessoas para que funcione.


O “Hand Talk”, a pessoa tem que querer conversar com o outro. Precisa-se de voluntários. E, se não existe empatia, dificilmente a tecnologia somente conseguirá resolver a questão.


As vezes você está doido para conversar com uma pessoa surda, mas não consegue se comunicar. Isso acontece muito comigo. E está tudo bem. Não estou conseguindo te entender bem verbalmente, mas estou olhando seus olhos, sua expressão corporal. Isso funciona para quem não é surdo também: ás vezes queremos dizer tantas coisas às pessoas que amamos e nos faltam palavras. Um abraço basta. A pessoa amada já entendeu tudo.


O ser humano não se comunica apenas por palavras. A tecnologia do aparelho que traduz diversas línguas simultaneamente é fantástica. Sonho de consumo. Mas já visitei alguns países, muitas vezes sem aparelho nenhum e sobrevivi. Passeei com uma japonesa sem trocarmos uma palavra e teve momentos divertidos. Uma pessoa uma vez disse que tem um amigo que foi à China sem falar uma palavra de mandarim e voltou do jeito que foi. E perguntaram como ele fez: quando estava com fome, girava as mãos na barriga ou/e apontava a comida de interesse na vitrine. Para pagamentos, a linguagem com os dedos para saber valor de algo. Inclusive, essa pessoa, foi até convidada a entrar na casa de chineses, voltando com bons amigos. Sem saber uma palavra de mandarim.


Quando vejo uma pessoa tratando mal um deficiente, sinto, claro, dó do deficiente. Mas mais ainda da pessoa que trata mal, porque a deficiência dela é mais grave. A deficiência de caráter é algo que dificilmente se soluciona.


Empatia: a tecnologia que nunca cai de moda.









Lígia Ríspoli D'Agostini é formada em jornalismo, especialista em Communication Brand e Comércio Exterior. Estudante de Direito. Poeta, com livro publicado pela Editora Chiado e blogueira quando sobra algum tempo. Além de tudo, possuí perda auditiva. Como tudo na vida de pessoas especiais e diferentes, lutar e resistir é um ato diário!

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