Rodrigo Rosso

empreendedorismo a favor da inclusão

 

Poderia ter sido uma entrevista exclusiva mas não foi, foi uma conversa muito divertida que aconteceu na "sala de visitas" da Revista Digital Tendência Inclusiva com Rodrigo Rosso. Empreendedor, criador e editor chefe da revista Reação - Revista Nacional de Reabilitação - que atua há 18 anos levando informação e conhecimento para as pessoas com deficiência, presidente da ABRIDEF - Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência - e da Mobility & Show que acontecerá agora em setembro em São Paulo capital, Rodrigo Rosso, nos conta como tudo começou neste universo da inclusão e demonstra todo seu profissionalismo e generosidade.

Foto: Kica de Castro.

Quando solicitei a Rodrigo Rosso, meu chefe na Revista Reação - revista da qual me orgulho muito de fazer parte como colunista colaboradora desde 2013 falando de esportes e aventura radicais adaptadas - uma entrevista para a Revista Digital Tendência Inclusiva fui surpreendida por uma pessoa dotada de tamanha simplicidade pouco comum a grandes empresários. Suas palavras eram de incentivo e de muita satisfação. Assim trocamos muitas mensagens divertidas e a promessa de encontro para poder retribuir, com um forte abraço, toda generosidade dada a mim, a Tendência Inclusiva e as pessoas com deficiência.

 

Acredito que, assim como eu, vocês irão se encantar com um pouco da história de Rodrigo Rosso neste universo da pessoa com deficiência.

 

Só tenho a agradecer Rodrigo Rosso. Deixo aqui minha admiração pelo seu trabalho e pela pessoa que é. Obrigada!

 

 

 

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva: Você é editor chefe da Revista Reação, revista que tem 18 anos de mercado sempre abordando temas relacionados ao universo da pessoas com deficiência. Nos conte um pouco sobre o surgimento e o crescimento da Revista Reação?

 

Rodrigo Rosso:

 

Comecei nesse universo da pessoa com deficiência por acaso...

Hoje sei e entendo que não existe acaso, encaro como uma missão que Deus me deu.

 

Meu negócio era agropecuária. Tinha uma agência de propaganda e editora voltadas a esse segmento. Um belo dia, em 1996, uma pessoa me achou nas listas telefônicas de páginas amarelas e queria organizar uma feira chamada “REA, que aconteceria em 1997. Precisava de uma agência para elaborar a campanha da feira, logomarca, cartazes, convites, etc... Minha agência ficava na mesmo rua que a empresa dele. Aceitei o desafio, pois propaganda é propaganda e comecei a desenvolver o material.

 

Essas empresa que me procurou não tinha estrutura de vendas e como erámos vizinhos, ficamos amigos e comecei a colocar meu pessoal de vendas para comercializar a feira dele. Comecei a me envolver no dia a dia da pessoa com deficiência, quando me dei conta, praticamente eu estava organizando a feira pra ele.

 

Era uma feira pequena, foi o primeiro evento no Brasil para pessoas com deficiência com esse perfil. Chegou 1997 e a feira precisava de um catálogo de expositores para ser distribuído aos visitantes mas era tão pequena que não dava para fazer um catálogo só dela.

 

Como eu já fazia revistas sobre o agronegócio, resolvi fazer o catálogo da feira em formato de revista. Pesquisei, na ocasião em 1997, na Europa e EUA só haviam 2 ou 3 publicações que falavam sobre “deficiência física” e voltada ao esporte.

 

Então resolvi fazer a revista com o catálogo da feira nas páginas finais. E ela foi lançada dentro da feira e distribuída aos visitantes no intuito de ser somente aquela edição, um catálogo, nada mais.

 

Foi então, que no segundo dia de feira, um cadeirante se aproximou de mim e disse que queria ser meu assinante. O nome dele: Klaus Baungart – um dos sócios do Complexo Center Norte (shopping, hotel e centro de exposições, onde inclusive, a feira REA’97 estava acontecendo) e eu expliquei a ele que não havia revista alguma, que aquilo Revista Nacional de Reabilitação – nome dados às pressas na época – era somente um catálogo da feira. Ele insistiu, me deu um valor em dinheiro (que nem me lembro mais) e saiu andando com sua cadeira, foi embora, fiquei com o dinheiro dele e falando sozinho. E com a responsabilidade de honrar, pelo menos, aquele assinante maluco...

 

Nascia ali a Revista Reação, na época chamada de Revista Nacional de Reabilitação. De lá pra cá, nunca falhou uma edição sequer, nunca furou, nunca deixou de ser publicada, mesmo aos trancos e barrancos, passando por várias crises econômicas, superando todas as dificuldades, e ainda mais, crescendo todos os dias e dela, gerando frutos que marcaram e marcam o nosso setor até hoje.

 

Só para finalizar, hoje não tenho mais outras tantas revistas em segmentos diferentes como já tive. Nem programas de tv em agronegócio, nem outros negócios. Hoje a Revista Reação e o universo da pessoa com deficiência são o meu mundo, o meu negócio, o ar que respiro...

 

Minha vida mudou totalmente em função da Revista Reação!

 

A feira onde a revista nasceu –  a REA’97 – acabou-se. Infelizmente não existe mais, não vingou, mas a Revista Reação está aí ate hoje!

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva: Como você enxerga a importância da Revista Reação no Brasil?  Você percebe a mudança de atitude e conceitos devido as informações disponibilizadas aos leitores da Revista Reação com tantas edições lançadas?

 

Rodrigo Rosso: 

 

Procuro sempre lembrar que antes da Revista Reação as pessoas com deficiência no Brasil tinham um único veículo de comunicação e contato com o universo, por exemplo, dos produtos e serviços para esse setor: eram as páginas amarelas das listas telefônicas.

 

Não existia nada!

 

Imagine só a dificuldade que encontrei e a resistência  para que alguma empresa investisse em publicidade na revista?

 

Era um mundo novo... para todo mundo, inclusive pra mim...

 

Mas foi muito gratificante saber que participamos ativamente, nesses 18 anos, de tantas mudanças e conquistas para as pessoas com deficiência. Muitas coisas mesmo! Desde um modelo de carro que a montadora deixou mais alto para atender a altura da cadeira de rodas e a transferência da PCD para o banco, até a lei de cotas, as isenções para compra do carro 0km. Agora, mais recentemente, a LBI. Enfim...

 

Mas acho que uma das mais importantes, sem dúvida, foi a criação e realização da Reatech. Uma feira que é um verdadeiro marco na vida da pessoa com deficiência – que nasceu da Revista Reação – e que chegou a ser considerada o 3º maior evento do mundo para PCD! Hoje a Reatech não é mais da Revista Reação, foi vendida em 2012.

 

E também a  criação da ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores para Pessoas com Deficiência – que é uma entidade patronal do setor, que nasce não para defender os interesses da indústria, comércio e serviços mas para criar dentro do meio produtivo e de negócios quem envolvam a pessoa com deficiência, uma consciência de respeito, de ética e de compromisso de qualidade, visando uma melhor qualidade de vida, produtos melhores e com preços acessíveis para o consumidor com deficiência.

 

Praticamente, de uma forma ou de outra, quase tudo o que acontece no universo da pessoa com deficiência acaba passando direta ou indiretamente pela Revista Reação.

 

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva: Rodrigo, e como ter acesso a Revista Reação?

 

Rodrigo Rosso:

 

A Revista Reação não é vendida em bancas. Até por um conceito muito simples: é uma publicação dirigida a um determinado público, um público que não tem acessibilidade para chegar a uma banca, que por sua vez, também não é acessível. Preferimos enviar a revista para casa, para o endereço das pessoas com deficiência.

 

Eu digo que a grande diferença da Revista Reação das outras publicações impressas que hoje existem e que vieram na “carona” da Revista Reação, é que a Revista Reação é uma revista que fala “para pessoas com deficiência” enquanto as outras, são revistas que falam “sobre pessoas com deficiência”. É diferente!

 

Procuramos trazer assuntos que falem diretamente aos interesses do nosso leitor, que é a pessoa com deficiência. Artigos como os seus, muitíssimo bem escritos e de grande interesse do dia a dia da vida de uma pessoa com deficiência ou familiar. É diferente do que se fizéssemos uma revista contando  histórias de pessoa com deficiência, histórias de “superação”... Isso é legal, sim... também fazemos isso, mas só falar disso, não falo o que realmente a pessoa com deficiência precisa e procuramos trazer na Revista Reação, um pouco de tudo o que o cidadão com deficiência precisa de fato para uma melhor qualidade de vida.

Para ter acesso à revista Reação a pessoa pode fazer uma assinatura – anual ou bianual – ligando para nossa central gratuitamente: 0800-772-6612  - ou se quiser conhecer, ligue que mandamos a revista pelo correio, gratuitamente também.

 

Acesse o site www.revistareacao.com.br.

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva:  Rodrigo, você também é presidente da ABRIDEF, nos fale sobre a atuação desta associação?

 

Rodrigo Rosso:

 

A ABRIDEF - ASSOCIAÇÃO. BRASSILEIRA DAS INDÚSTRIAS E REVENDEDORES DE PRODUTOS E SERVIÇOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – como eu já disse é uma entidade patronal. A única representante do setor e tem apenas 5 anos. Eu fui reeleito, inclusive em abril último, para meu segundo mandato como presidente.

 

É hoje a entidade referência e fonte, por exemplo, do governo federal, estaduais e municipais, reconhecida no Brasil inteiro e hoje até internacionalmente, como entidade representativa da indústria, comércio e serviços para pessoas com deficiência no Brasil. Já participamos ativamente e com força política em Brasília, nas decisões importantes para PCD, vide o plano “Viver sem Limite” e agora LBI.

 

E estamos cada vez mais nos profissionalizando e ainda mais atuantes, defendendo os direitos tanto da indústria e do comércio/serviços, mas também, principalmente, do cidadão com deficiência. Agora mesmo estamos trabalhando arduamente para a redução ou exclusão da carga tributária nos produtos e serviços de tecnologia assistiva – produtos para pessoas com deficiência de qualquer origem para que, sem impostos, eles possam chegar mais baratos, melhores e mais acessíveis ao consumidor com deficiência e seus familiares. E estamos revisando as ações do “Viver sem Limite” e agora, vamos pontuar e trabalhar cada item da recém aprovada LBI – Lei Brasileira da Inclusão.

 

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva: Quais são os eventos ligados a ABRIDEF? E como se faz para empresas que querem associar a ela?

 

Rodrigo Rosso:

 

A ABRIDEF não organiza eventos. Nós apoiamos alguns eventos, como por exemplo: REATECH, HOSPITALAR, FEIRA + FÓRUM, REABILITAÇÃO...

 

Agora mais recentemente, a MOBILITY & SHOW, que acontece agora em setembro em Interlagos, São Paulo capital. E como associação de classe, conseguimos algumas condições melhores e mais interessantes de participação para nossos associados junto aos organizadores desses eventos, o que acaba sendo atraente.

 

Para se associar, basta ser uma indústria, importador, comerciante, revendendor, distribuidor ou profissional prestador de serviço para pessoa com deficiência. Basta entrar em contato através do site: www.abridef.org.br.

 

No site também podem ser encontradas a missão da entidade e tudo que ela está fazendo e trabalhando em prol do setor.

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva: Agora em setembro teremos um grande evento, o Mobility & Show, nos fale um pouco sobre ele?

 

Rodrigo Rosso:

 

O MOBILITY & SHOW é um evento automobilístico para pessoas com deficiência. Tanto que acontece dentro do autódromo de Interlagos, em São Paulo, nos dias 19 e 20 de setembro próximo. É um evento diferente, nos moldes de uma feira que acontecem em Londres há mais de 30 anos, no autódromo de lá. Também voltada a automóveis e tudo que tem motor e que dá mobilidade para pessoas com deficiência.

 

Essa feira de setembro em Interlagos, tem o apoio da Prefeitura de São Paulo e da ABRIDEF, conta já com a participação das principais montadoras de automóveis e adaptadoras de veículos do Brasil, de autoescolas, despachantes, bancos, seguradoras, etc...

 

É um grande feirão de carros para pessoas com deficiência. São carros, triciclos, cadeiras motorizadas, enfim, tudo que que tenha motor! Lá, as pessoas irão ter acesso a todas as informações sobre isenções, direitos, financiamento e terão oportunidade de fazer test-drive nos carros encontrando condições imperdíveis para sair com seu carro 0km!

 

Mas principalmente, temos a função na MOBILITY & SHOW, evento organizado e promovido pela Revista Reação, em levar informação  que milhares e milhares de brasileiros tem sim direito a isenção de impostos na compra do carro 0km e não sabem disso. Como por exemplo, idosos, HIV positivo, pessoas com câncer – não pela doença mas pela idade e sequela que elas provocam – além de hemofílicos, ostomizados, isso sem contar as próprias pessoas com deficiência – condutoras ou não de seus veículos – e também, seus familiares, bem como, os síndrome de Down, autistas, cegos e outros.

 

A entrada na MOBILITY & SHOW é gratuita, assim como o estacionamento local. Também haverá transporte gratuito adaptado saindo de vários pontos de SP até o autódromo, promovido pelo sistema ATENDE. Saiba mais no site: www.mobilityshow.com.br

Adriana Buzelin por Tendência Inclusiva:  Por favor, Rodrigo, deixe um recado para os leitores da Revista Digital Tendência Inclusiva?

 

Rodrigo Rosso:

 

Acho que o principal recado é que a sua revista digital, com permissão do trocadilho, é sim uma “tendência inclusiva”!!! Não tenho dúvidas que sua revista veio para preencher uma lacuna que faltava no universo da pessoa com deficiência, esse universo de mais de 46 milhões de brasileiros, antenados, consumidores, cidadãos, gente que precisa de informação!

 

A pessoa com deficiência está cada dia mais ligada em tudo, sabedores dos seus direitos mas também, hoje, muito mais conscientes dos seus deveres como cidadãos ativos e participantes da sociedade e isso é excelente. Isso é consciência política, cívica, isto é ter consciência de que não precisamos de assistencialismo mas sim de oportunidade de igualdade! E, aos poucos, estamos conquistando, porque a conquista é diária, o respeito não se impõe, se conquista.

 

E nossa função como imprensa – a minha como mídia impressa e a sua como digital – é abrir caminhos, romper fronteiras, abrir mentes, construir ideias, formar conceitos.

 

Parabéns pela sua iniciativa e seu trabalho! Que essa “TENDÊNCIA INCLUSIVA” seja uma expressão a ser adotada por todas as áreas da nossa sociedade.

Fotos: Arquivo do Entrevistado e fotos de Kica de Castro

 

 

por Adriana Buzelin em 25/07/2015

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